sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Analisando os erros e acertos

Está chegando o fim do ano e dá a sensação incômoda de que poderíamos ter feito mais. Ter trabalhado mais, produzido mais e melhor. Uma mistura de ansiedade com inquietude. Nada grave, apenas o suficiente para motivar e alimentar nossa capacidade de andar para frente, buscando o melhor.

Isso me ocorre há muitos anos. Sei que essa reflexão me ajuda a entender que tenho limitações, algumas físicas e outras intelectuais. Mas, ao mesmo tempo, percebo o quanto evoluí durante o ano. Quantas coisas boas fui capaz de produzir. Quantas histórias lindas tive a oportunidade de contar. Para mim, isso vale muito.
Lembro-me de todos os e-mails de agradecimento que recebi, dos noivos, pais e convidados. Palavras que emocionam e que me fazem perceber como o meu trabalho é importante, além de reafirmarem que estou no caminho certo, oferecendo um serviço de qualidade com um toque pessoal.
Mas não posso fechar os olhos para os equívocos que cometi. Eles servem de aprendizado e fazem parte da constante evolução a que me proponho. O comprometimento com o bom e com o bem. Os equívocos ajudam a me manter atento, sensível a certas coisas que o cotidiano teima em esconder ou camuflar.

Os desafios deste ano que começa são muitos. Planejar é necessário e ser um pouco mais empresário do que fotógrafo, também. Esse é um dos pontos mais importantes para mim em 2014. Os exemplos que tive a chance de ver e as pessoas que conheci reforçam ainda mais esse objetivo, para que, no final do ano que vem, eu possa ter a tranquilidade de fazer essa retrospectiva e me sentir, novamente, realizado.

O flash Speedlite 600EX RT é bom?

Syl Arena, fotógrafo do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, apaixonado pelas sombras e luzes, fez uma análise dos motivos para escolher entre os flashes de mais potência da Canon, o Speedlite 580EX II e o mais novo lançamento da marca, o Speedlite 600EX-RT.

Como morador dos Estados Unidos, é claro que a análise de Syl é feita com os valores do seu país, mas em uma pesquisa rápida em sites como Mercado Livre, podemos notar que a diferença no Brasil fica em torno de R$200 de um flash para o outro.
“A diferença de preço entre os flashes de ponta da Canon, o venerado Speedlite 580EX II e o novo Speedlite 600EX-RT, é tão pouca que não vale mais a pena comprar o 580EX II. Se você estiver decidido a comprar um flash Speedlite Canon para utilizar como flash principal, opte pelo 600EX-RT. Se você estiver procurando seu primeiro flash, e têm meios financeiros, o 600EX-RT também deve ser a sua escolha.

Quando falei pela primeira vez sobre a diferença entre os dois, oito meses atrás, o 600EX-RT era US$ 100 mais caro que o 580EX II. Agora, esta diferença caiu para US$ 10, e não deixa mais dúvidas na hora da compra.
- 600EX-RT tem um visor LCD maior. O display do 600EX-RT é 35% maior que o 580EX II. As letras são maiores.  Os ícones são mais detalhados. Se você é novo nos flashes, o 600EX-RT é muito mais fácil de ler e entender.

- 600EX-RT têm melhores botões, as quatro teclas de função abaixo do display mudam suas funções de acordo com o modo do flash. Os ícones mostrados no LCD mudam junto. O botão Mode foi separado dos demais e aumentado. E… um botão dedicado foi adicionado na lateral esquerda para ativar o sistema wireless.
- 600EX-RT é totalmente compatível com as series 500 e 400 EX. Quando o sistema wireless é ativado, o 600EX-RT é, essencialmente, um 580EX II, com uma interface muito melhorada. No modo wireless, o 600EX-RT pode ser usado tanto como um flash máster como escravo. E pode também, ser controlado pelo sinal dos flashes pop-up das câmeras 60D, Rebels T3i , T4i, T5i, e o SL1.

- 600EX-RT tem sinal a rádio. Isto simplifica muito a comunicação entre máster e escravo. O sinal pode atravessar facilmente paredes e equipamentos de estúdio. Detalhe: não é possível usar os sinais a rádio e wireless ao mesmo tempo.
- 600EX-RT pode mudar a cor da luz do LCD para verde ou laranja. A luz fica laranja quando o flash está no modo escravo, e verde quando está no modo máster. Este pequeno recurso pode se de grande ajuda em situações de pouca luminosidade”.

Syl Arena escreveu um livro chamado “Manual do Speedliter – Aprendendo a trabalhar a luz com o Speedlite da Canon”, que deve ser lançado em agosto, pela Editora Photos no Estúdio Brasil, que acontece pela primeira vez durante a Photo Image Brasil, a maior feira de imagem da América Latina.
O livro é dedicado a iniciantes no uso de flash dedicado, ou para quem já desistiu de tentar usar um. Syl mostra os acessórios e equipamentos para o Speedlite da Canon, além de apresentar todos os recursos do flash. Independente da área de atuação do fotógrafo, as técnicas são aplicáveis em inúmeras situações, ao criar um retrato clássico, ao fotografar eventos ou simplesmente ao dar um toque especial nas fotos. O autor quer que o leitor faça do Speedlite um aliado.

Assistente também é fotografo?

Sempre que participo de conversas, percebo os fotógrafos usando o termo “freela” para se referirem aos seus assistentes ou àqueles que contratam para terceirizar determinados eventos. Por outro lado, ouço os “freelas” chamando de “fotógrafos” aquelas pessoas para quem eles prestam serviços como assistentes ou os substituindo em determinados eventos.
Acho isso o fim da picada. Somos todos fotógrafos. Todos temos a mesma profissão, usamos a mesma matéria-prima e sentimos na pele a mesma dor e alegria de sermos o que somos. Na minha opinião, a adoção desses “rótulos” leva a tensões e problemas que seriam evitados ou melhor administrados se todos nos olhássemos como fotógrafos. E ponto.

Por sermos profissionais, a relação entre nós deve ser clara, ética, respeitosa e dentro dos limites da lei. Infelizmente, não vai caber numa única coluna tudo o que precisa ser explicado. Assim, nesta edição, colocarei os problemas mais recorrentes e deixarei vocês pensando até a próxima edição, quando continuarei o tema e apresentarei as respostas e sugestões.
A lista de coisas para refletirmos parece não ter fim: um fotógrafo – seja titular ou freela – precisa se locomover, se alimentar, ter seguro dos equipamentos, arcar com gastos de telefonia celular, Internet, seguro de saúde, cursos de atualização, atualização de seus equipamentos, ter momentos de lazer para arejar o olhar e o cérebro. Será que isso tudo é levado em conta por um “fotógrafo titular” na hora de precificar e remunerar o seu “fotógrafo freela”? Isso parece irrelevante, mas tem sérias consequências na motivação do “fotógrafo freela” e reflexos evidentes na qualidade do material por ele produzido.
Como administramos o acesso do “freela” ao material que ele produziu enquanto ajudava ou substituía o “titular” num evento ou mesmo num job inteiro dentro do estúdio? Já vi fotógrafos titulares simplesmente impedirem que seus assistentes tivessem acesso às fotografias que criaram. Isso é ilegal. Isso é um desrespeito. Mas também não podemos deixar de considerar que muitas vezes o trabalho exige sigilo. E a solução, então, vem através de limites pactuados para o uso do material pelo assistente. Mas, repito, impedir que o fotógrafo “freela” fique com uma cópia de tudo o que produziu não é uma opção.
Fotógrafos “titulares” ou “freelas” precisam conviver com uma ansiedade: e se o outro não aparecer na hora do trabalho? E os motivos desse não aparecimento são os mais variados! O “titular” pode ter sofrido um “piriri” monstro e ficado preso no banheiro ou, simplesmente, ter arrumado mais um job de última hora e decidido deixar o “freela” na jaula com os leões sozinho. Mas também já soube de “freelas” que, na última hora, receberam proposta de um job melhor ou mais rentável e decidiram deixar o “titular” na mão. Obviamente isso somente se resolve com um contrato que amarre as partes, estabelecendo direitos e deveres recíprocos, bem como multas para a hipótese de descumprimento.
Para não me estender demais, vou incluir duas questões no mesmo tópico: os “titulares” que usam imagens dos “freelas” como se fossem suas para ilustrar sites, blogs e até fazer ampliações que vão para as paredes do estúdio. E “freelas” que se apresentam para o mercado como se fossem os responsáveis por um cliente que, na verdade, pertence ao “titular” – isso quando não tentam captar para si aquele cliente que pertence ao “titular”. Felizmente esses dois problemas de origem ética não são tão frequentes, mas existem e precisamos discutir os reflexos jurídicos dessa tremenda falta de respeito.

Uma questão bastante delicada diz respeito ao momento em que um “fotógrafo freela” se torna tão habitual e frequente na vida do “titular” que cria vínculo empregatício com este. Como lidar com essa questão? E o desdobramento, que é a situação em que o antigo “assistente” simplesmente cria o próprio estúdio e passa a competir diretamente com seu antigo “titular”? Já presenciei situações bastante tensas por essa razão.
Concluindo a série de assuntos sobre os quais eu desejo que vocês reflitam, coloco a questão do crédito autoral. Tecnicamente, um fotógrafo “freela” é tão autor de suas imagens quanto o fotógrafo “titular” é das imagens dele. Mas não é comum vermos um “titular” incluindo o crédito dos seus “freelas” no material entregue aos clientes. Como também não é comum um “freela” incluir em seu portfólio a informação de que aquele trabalho foi realizado a partir de ordens ou sob supervisão do “titular”. Os interesses em jogo são os mais variados. Mas vou focar a minha análise no conflito entre ego e dinheiro.
Como vocês devem ter percebido, vamos entrar num terreno pantanoso. Mas tenho certeza que vocês sairão deste debate fortalecidos, olhando para os outros fotógrafos com mais respeito e buscando uma atitude mais conciliatória e menos desconfiada. Afinal, o futuro da nossa profissão depende só de nós.
Finalmente, termino esta coluna pedindo para que vocês, leitores, me escrevam apontando mais conflitos entre os “titulares” e os “freelas”, para que eu possa conhecer as dúvidas de vocês e aperfeiçoar a escrita dos próximos artigos que seguirão neste tema.

Porque uma foto não pode custar barato?

O grande dilema trazido pelo digital foi a popularização da fotografia. Muitos fotógrafos de final de semana acreditam que a fotografia é um bico apenas, que qualquer saída pode ser muito bem paga com R$ 100 ou R$ 150.

Fazendo um breve cálculo, considerando que esse fotógrafo tenha investido em seu equipamento uns R$ 3 mil (câmera básica e flash TTL) e que após um ano esse equipamento terá depreciado em 10 30%, valendo não mais que R$ 1.800, chegaremos à conclusão de que por mês ele teve um custo de R$ 100 (R$ 1.200 de depreciação divididos por doze meses) e, caso queira adquirir outro equipamento no mesmo patamar após um ano, terá de desembolsar mais R$ 100/mês, mantendo o valor médio final de 3 mil. Ou seja, mesmo que o equipamento ficasse guardado sem gerar lucro, para ser atualizado em um ano o fotógrafo perderia pouco mais do que 30% do que investiu e ainda teria que investir mais 30% do próprio bolso para igualar os valores, tendo um gasto fixo mensal de R$ 200.

O fotógrafo que ainda paga aluguel, funcionários e impostos deve seguir a mesma lógica para chegar ao custo mensal, agregados os demais gastos fixos com a manutenção do estúdio/escritório. Diante do exposto, dá para cobrar R$ 5 numa foto de evento?

Os fundamentos da fotografia de paisagem

A escolha da luz adequada para retratar uma cena é uma tarefa que move artistas visuais desde a pintura clássica. Efeitos de luz e sombra foram dramaticamente aperfeiçoados durante o Renascimento. A obra do mestre Ticiano (século XVI) serve como exemplo dessa busca, bem como a pintura clássica da paisagem dos mestres Claude Lorrain e Nicolas Poussin (século XVII), pioneiros em retratar a natureza como uma manifestação do sublime. Na fotografia clássica de paisagem da primeira metade do século XX, capitaneada pelos mestres Edward Weston e Ansel Adams, a luz é usada para revelar forma na paisagem e dar a ela atributos transcendentais, mas não sem a ajuda de um arranjo de elementos no quadro fotográfico que confira força visual. Assim, luz e composição da imagem são os dois fundamentos discutidos neste artigo.

A luz é o ingrediente básico de uma fotografia e suas qualidades devem ser plenamente percebidas pelo fotógrafo de paisagem. Como fotógrafos, julgamos a luz em termos de intensidade, cor, contraste e direção. A intensidade da luz diz respeito à sua abundância: a luz do sol ao meio-dia é muito mais intensa que a luz do sol no final do dia, e incrivelmente mais intensa que a luz de uma lua cheia. Para o fotógrafo, em geral, quanto mais luz, melhor. Entretanto, para o fotógrafo de paisagem, são as condições de luz mais suave, como no nascer ou ao pôr do sol, portanto de pouca intensidade, que conferem resultados mais dramáticos à fotografia. A cor de uma fonte de luz, ou mais especificamente, sua temperatura de cor, é outro parâmetro de grande importância para a fotografia de paisagem.

A luz branca do sol, ao meio-dia, ganha tons azulados nas sombras, ou alaranjados no início e no final do dia, e a câmera pode se ajustar automaticamente a essas mudanças. Entretanto, nem sempre os ajustes automáticos compreendem bem o tipo de luz derramado na paisagem e a imagem pode ser gerada com um desequilíbrio de cores. O fotógrafo digital que usa o formato Raw de captura da imagem tem a grande vantagem de realizar esse balanceamento de cores facilmente a posteriori – atividade conhecida como ajuste do balanço de branco – durante o processamento do arquivo com os dados originais da imagem em um software de edição apropriado. Para quem fotografa exclusivamente no formato Jpeg, é bastante conveniente ajustar o balanço de branco para a opção desejada no ato da exposição da cena.

O contraste de luz diz respeito à forma como os raios luminosos incidem sobre um objeto. Quando o fazem a partir do mesmo ângulo, temos uma situação de elevado contraste, ao contrário da situação em que os raios luminosos atingem o assunto a partir de variados ângulos, como no caso da luz difusa de um dia nublado, que cria uma situação de baixo contraste. O contraste de luz é uma propriedade muito explorada pelo fotógrafo de paisagem, especialmente quando associada a outra característica da luz: sua direção. Das quatro possíveis direções da luz, a saber, topo, frontal, traseira e lateral, é a última a que tem o maior potencial para revelar formas no assunto fotografado. A luz lateral tem a capacidade de descortinar a textura da paisagem, promovendo o aparecimento de sombras longas que realçam e induzem uma noção de volume (forma) e profundidade na paisagem, sendo, assim, a predileta entre os fotógrafos desse gênero. Dessa forma, a utilização de uma luz suave e direcional (como no nascer e pôr do sol) é um dos maiores segredos da fotografia de paisagem, e fotografar nessas condições exige do fotógrafo pré-visualização da cena e planejamento cuidadoso, já que essa condição de luz pode durar muito pouco tempo durante o dia, especialmente quando próxima a regiões equatoriais.

Deve-se ressaltar que a fotografia de paisagem também se beneficia bastante de outras condições de luz, como por exemplo a luz traseira, muito indicada para a realização de fotografias com ênfase no registro de contornos e silhuetas da paisagem. Outro exemplo é a utilização de luz difusa, observada antes do nascer e após o pôr do sol, quando a paisagem experimenta um espetáculo de mudança de cores no céu que dura muito pouco, apresentando desde tons quentes a tons frios e vice-versa, dependendo da hora do dia. Particularmente, após o pôr do sol em um ambiente urbano, quando a noite começa a cair, o fotógrafo de paisagem tem a oportunidade de conjugar luz natural, cada vez menos intensa, com luz artificial, da cidade que se acende, podendo obter fotografias no estilo lusco-fusco visualmente muito cativantes.

A composição da imagem pode ser entendida como um processo de simplificação. Diferentemente de um pintor, que inicia sua obra a partir de uma tela em branco e vai, aos poucos, adicionando elementos para criar uma imagem final, o fotógrafo de paisagem começa com um mundo cheio de detalhes, informação e desordem. Seu grande desafio será, assim, decidir sobre o que eliminar da cena ao fotografá-la e, ainda mais importante, quando parar de eliminar. O escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry disse que “um designer sabe que alcançou a perfeição não quando não tem mais nada a adicionar, mas quando não há mais nada a retirar”. Buscar a simplicidade na composição da imagem na fotografia de paisagem, entretanto, não significa torná-la simplista. Ao contrário, a simplicidade para o fotógrafo deve ser entendida como a tarefa de mostrar a essência da paisagem sem a presença de elementos que possam criar distrações indesejadas e privar a imagem de harmonia.

A busca por uma composição bem resolvida, poderosa em sua simplicidade, é alcançada quando o fotógrafo se torna fluente na linguagem visual da fotografia, do mesmo modo como o poeta o faz com as palavras, o músico com as notas musicais ou o chef com os ingredientes culinários. Para a fotografia, o vocabulário visual se baseia nos chamados elementos do design, que incluem, por exemplo, a linha, em todas as suas manifestações (horizontais, verticais, diagonais e curvilíneas), o contorno, a cor, a textura, a luz (já discutida acima) e a forma. A conjugação desses elementos se dá através dos princípios do design, que incluem as noções de equilíbrio, proporção, ritmo, ênfase e unidade, por exemplo.
Está fora do escopo fazer uma apresentação detalhada dos elementos e princípios do design, mas é importante dizer que a composição na fotografia de paisagem está fortemente baseada nesses conceitos. Rios e riachos podem ser usados como linhas condutoras do olhar; a linha do horizonte pode trazer uma sensação de calma e segurança à imagem; a luz lateral e suave do pôr do sol pode ajudar a revelar o volume das montanhas e a textura da paisagem;  postes de iluminação e prédios altos, numa metrópole, podem servir para introduzir uma noção de força e poder; o contraste de cores de flores vermelhas num campo verde pode fazer aquelas saltarem visualmente; os detalhes de formações rochosas podem ser usados para criar padrões que se repetem; o registro do movimento da água ou das nuvens, numa longa exposição, pode associar atributos etéreos à imagem. Dominar esse vocabulário visual significa ser capaz de transpor para o plano fotográfico a essência da paisagem, enfatizando apenas aquilo que cativa, emociona e inspira.

Para evoluir na composição da imagem, o fotógrafo de paisagem deve ter o espírito aberto para uma jornada de aprendizado contínuo. Os erros deverão se transformar em incentivo para a busca da composição perfeita. Revisitar uma determinada locação, por exemplo, faz parte da rotina de um fotógrafo de paisagem perseverante. Os acertos, por outro lado, servirão para justificar seu empenho. Com a prática, o fotógrafo não precisará mais realizar a tradução simultânea do vernáculo visual para poder perceber seus significados, pois isso fará parte de sua própria expressão artística. Assim como no caso de um bom vinho, a composição tende a melhorar com o passar dos anos – e de muita prática.
Respeitosamente, este artigo pretende ajudar a renovar o interesse pela fotografia de paisagem no Brasil. Em nosso país observamos a oferta de poucos cursos voltados exclusivamente para a paisagem, um gênero distinto e seminal da fotografia. A fotografia de paisagem vai além da fotografia de natureza, pois se estende através das fronteiras urbanas, podendo adentrar o universo construído e registrar a forma como o homem transforma o meio ambiente. Os quatro fundamentos apresentados aqui (ideia clara do que fotografar, uso de técnica apurada, busca da luz perfeita e esmero na composição da imagem) são os alicerces do curso Fotografia de paisagem: do planejamento à pós-produção, iniciado no Ateliê da Imagem, no Rio de Janeiro, em 2010. A formação de novas gerações de fotógrafos de paisagem, aptos para a documentação e interpretação artística da rica paisagem brasileira – vibrante e incrivelmente variada – pode ajudar a registrar seus principais atributos, sua transformação e chamar a atenção para a necessidade de sua conservação.

Segredos para fotografar gestantes e crianças

Como temos o objetivo de ser uma escola de referência nacional, é sempre um desafio fazermos de nossas palestras e cursos momentos repletos de conhecimento e de técnicas práticas e criativas para a realização das mais simples às mais rebuscadas fotografias em estúdio ou ao ar livre.
Quando ainda preparávamos a abordagem, nos questionamos sobre o que poderia ser dito de interessante e novo para fotógrafos talvez já acostumados a essas fotografias, já que grande parte dos estúdios tem como principais clientes as gestantes e, depois, seus pequenos bebês. Foi olhando para as expectativas de nossos próprios clientes que percebemos as dificuldades do dia-a-dia de todos os fotógrafos desse mercado tão promissor. Relatando nossas percepções e apresentando as sugestões técnicas praticadas em nosso estúdio, acreditamos ter realizado nossa palestra mais simples, mas, também, a mais apaixonante. Queremos compartilhar essas ideias com todos os leitores da P&I.
A gestação é um momento único e inenarrável. Talvez só a entenda bem quem já foi mãe. Uma sementinha germina em seu ventre, fruto do amor, e, mesmo antes de ser possível sentir a real existência dela, a futura mamãe já se sente responsável por essa nova vida. Será que será saudável? Será que terá todos os dedinhos? Terá a carinha do papai ou da mamãe? É menino ou menina? Saberei educar? Vou amar o suficiente? Vai me amar? Quando minha barriga vai começar a crescer? Será que estou muito gorda? Será que vou voltar ao meu corpo anterior? Vou saber amamentar? Quando vou sentir seus movimentos? O coraçãozinho está batendo? São tantas as dúvidas. São tantas as alegrias. Tudo é tão novo, tudo é quase um sonho.
Quando a mãe vai ao estúdio fazer a sessão de fotos da gestação, as fotos precisam ser a resposta de algumas dessas perguntas.Ela é uma mãe linda – ou, mais que isso, ela se sente linda. Seu marido, e pai dessa criança, está feliz, amando sua esposa e seu futuro bebê. Enfim, eles estão formando uma família linda e feliz.

O fotógrafo que entende todas essas nuances e expectativas sabe que está produzindo muito mais do que uma imagem em um papel e muito mais facilmente alcança seu objetivo e o de seus clientes.
Quando finalmente o bebê nasce, o sonho vira realidade e, como toda realidade, pode não ser tão colorida e doce. Pode ser que o Eduardo não durma à noite, não deixando o papai e a mamãe descansarem. Pode ser que a Victória não mame direito e tenha que tomar reforço de mamadeira. Pode ser que a Gabriela tenha refluxo e chore muito. Pode ser tanta coisa. Pode até ser que o papai e a mamãe não saibam dizer “não” e o João vá ficando cada vez mais danadinho. Pode ser que o Pedro seja hiperativo. Pode ser tudo e muito mais. Mas, uma coisa é certa: o bebê é amado acima de qualquer suspeita e, ao ser levado ao estúdio, papai e mamãe querem que a foto seja o testemunho desse amor incondicional. Querem ver seu filho rindo como prova de seu amor e do quanto são bons pais. Querem ver seu filho feliz.

É tanta a ansiedade em uma sessão de fotos que, às vezes, os pais mais atrapalham que ajudam. Por isso, mais uma vez o fotógrafo que entende essas expectativas tem mais chances de realizar um bom trabalho e, mais ainda, quando o profissional é sensível à ansiedade dos pais, tanto mais pode ajudá-los a participarem positivamente da sessão de fotos.
Além disso, na fotografia infantil é preciso entender que a criança tem capacidades diferentes a cada nova fase de seu desenvolvimento e isso também é assunto para a fotografia. Assim, nos primeiros dias as fotos mais lindas serão aquelas em que a relação papai, mamãe e bebê está ocorrendo em nível de pele. São aquelas também em que o bebê recém-nascido tem sua “cara-de-joelho” registrada – afinal, ele nunca mais terá “cara-de-joelho”. Já aos três meses, por exemplo, as melhores fotos são aquelas em que ele finalmente consegue erguer seu pescoço e cabeça quando fica de bruços. Ou aos cinco, seis meses, as fotos em que ele pega seu pé com suas pequenas mãozinhas e o leva à boca. Enfim, registrar as conquistas infantis e seu desenvolvimento é a riqueza do universo da fotografia infantil. É claro que ainda há muitas mães que querem seus pimpolhos vestidos de coelhinhos, cenouras, besouros ou até mesmo de repolhos, mas, cada vez mais as mamães conseguem ver na pureza e simplicidade do rosto infantil a magnitude do seu amor. Mostrar isso à mamãe vai ajudá-la até mesmo em sua ansiedade por um sorriso que não vem.

Tecnicamente, recorremos a soluções bem simples, mas que sempre dão bastante resultado. Em nossa palestra, fotografamos a Cissa em seu nono mês de gravidez da Laura. Cissa é uma mamãe muito amorosa e orgulhosa de seu momento e queríamos mostrar isso com muita naturalidade. Queríamos destacar também os volumes e, para isso, usamos apenas dois flashes: um em luz principal curta e outro usado ora como recorte e ora como luz no fundo.
Já para a fotografia infantil, convidamos a Duda, que foi trazida por seus amorosos pais Juliana e Guilherme. A Duda é uma adorável menina de um ano e dois meses que não se assusta facilmente, adora uma câmera fotográfica e é só sorrisos. Mas a Duda não caminha, ela corre! – e todo fotógrafo infantil sabe o quanto isso dificulta o trabalho. Por causa dessa dificuldade, usamos e recomendamos dois tipos de iluminação: luz rebatida e luz contínua. Essas iluminações são bastante simples, mas acima de tudo ágeis, possibilitando que o fotógrafo se concentre na própria cena e suas expressões. Na fotografia em que o flash foi rebatido na parede, a abertura foi f/2.8, velocidade 1/125 e ISO 200. O legal dessa iluminação é que a criança pode se movimentar, pois a potência do rebatimento do flash é praticamente a mesma em todo o set, inclusive deixando o fundo com um tom de branco bastante interessante.

Já na fotografia feita com luz contínua a abertura foi f/2.2, velocidade - 1/250 (para garantir o congelamento da cena, já que a luz é contínua) e ISO entre 800 e 1000. O legal dessa iluminação é que a velocidade do clique não depende do tempo de reciclagem do flash, já que se está trabalhando com a luz contínua da própria lâmpada-piloto – isso confere agilidade à performance do fotógrafo infantil. Para corrigir o tom quente da luz incandescente, usamos o balanço do branco pelo sistema K (Kelvin) em mais ou menos 3100K.

Por fim, lembramos que a gestação e a infância são lindas por natureza, não é preciso complicá-las. É preciso apenas perceber sua magia e ser apaixonado pela vida e pela infância.

Faça seu próprio cabo disparador

Cabos de disparo são dispositivos extremamente simples, mas que pode custar um pouco, se você comprar os acessórios oficiais vendidos por grandes fabricantes de câmeras. Usuários do site Instructables divulgaram uma alternativa improvisada que é incrivelmente barata: tudo que você precisa é de um cabo e uma lata de refrigerante!

Será necessário um cabo P10 de 2,5mm macho-macho, o anel de lacre de uma lata de refrigerante qualquer (ela deverá conter aquela faixa de metal que prende o anel à lata), e um alicate, que também será útil.
Primeiro, você dobra o anel de lacre de lata de refrigerante em um ângulo de 90°. Aqui é onde o alicate pode vir a calhar, mas sinta-se livre para dobrar o anel de qualquer outro modo ou ferramenta que você quiser, desde que ele fique como no exemplo abaixo:

Você vai precisar dobrar a pequena faixa de metal dentro do buraco do anel, para fazê-lo caber totalmente em contato com a ponta do cabo.
Coloque uma das pontas do cabo 2,5mm através do orifício do anel, envolvendo a faixa de metal ao redor da ponta do conector.

Ligue a outra extremidade do cabo na sua DSLR e toque a parte superior do anel na ponta do conector para disparar a máquina:

O cabo disparador improvisado funciona completando o circuito e provocando o funcionamento de disparo da câmera.
Os usuários testaram o acessório utilizando uma Canon T4i/650D e descobriram que ele funciona perfeitamente. Não temos certeza se ela funcionará em outras marcas e modelos de câmera, mas é tão barato que vale a pena experimentar, se sua câmera usa a mesma entrada de cabo 2,5 mm.

Fotografias de detalhes

Já parou para pensar que as alianças, os sapatos da noiva, os enfeites de mesa e o buquê ou o bolo de aniversario, os balões e os doces fazem parte de um grupo de elementos, quase incalculável, que ajuda a narrar a história de cada união de forma única e especial?

As chamadas “fotografias de detalhes” nem sempre recebem a atenção que merecem, mas já foram assunto para importantes nomes da fotografia de detalhe, como o norte-americano Joe Buissink no livro “Fotografe com o Coração – Técnicas criativas para capturar os momentos que importam”; e o brasileiro Rafael Benevides, no livro  ”Luz & Poesia – Inspiração na fotografia de casamento”, ambos publicados no Brasil pela Editora Photos.

Para Buissink, as fotografias de detalhes demonstram a versatilidade e a capacidade de um fotógrafo ser um bom observador. “Os detalhes aprimoram a história, capturando elementos sutis que outras pessoas ignoram poderiam ter ignorado”, completa o fotógrafo no livro.

Escolhendo suas melhores imagens

Falar sobre escolhas quase sempre é uma tarefa difícil. Todos os dias temos que fazer escolhas e tentamos fazer o possível para acertar, mas quando se trata de escolher nossas fotos para publicar em um blog ou no Facebook e até em concursos, é preciso muita cautela.

Normalmente, fazemos centenas de imagens em um casamento, mas saber escolher bem as imagens para a divulgação é tão importante quanto fotografar. É como se fôssemos fotografar pela segunda vez a mesma coisa. As imagens escolhidas irão mostrar ao público seu estilo, seu gosto pessoal, sua técnica e vai refletir diretamente na sua imagem profissional. Além disso, são elas que vão atrair novos clientes.

Se quiser atingir um determinado público tem que saber escolher bem, mas é claro que é fundamental ter boas imagens para isso. Já vi casos em que o fotógrafo fez um bom trabalho, mas na hora da escolha deixou de fora as melhores imagens e, por medo de não agradar, publicou imagens posadas ou os velhos clichês. Lembre-se que, os clientes que mais valorizam a fotografia para seu casamento, também são os mais exigentes.

É preciso ter critérios mais rigorosos na hora da escolha das imagens, não basta fotografar bem, tem que saber escolher.
Ao longo da minha carreira estabeleci alguns critérios que uso diariamente na escolha das minhas fotos. Uma imagem para ser considerada boa para publicação precisa ter atributos que justifiquem a escolha, como uma iluminação diferenciada, uma composição surpreendente, o momento auge da ação, emoção, um ângulo novo, espontaneidade, entre outras coisas.

Minha busca é pelas imagens que reúnam o maior número de atributos na mesma imagem. Uma boa foto pode ter apenas um destes atributos, mas quanto mais atributos reunidos nela melhor ela será. Mesmo uma imagem considerada “clichê”, se for completa nestes quesitos é uma boa imagem. Bem, espero que tenham gostado da dica e uma ótima escolha a todos!

Convertendo JPEG em RAW

Se você precisa converter um ou vários arquivo no formato RAW para o formato JPEG, o script Image Processor (Processador de Imagens) é uma ferramenta bastante útil. Com ele, você faz a conversão de RAW para JPG, PSD ou TIFF e até mesmo pode converter para os três formatos simultaneamente.

Uma das vantagens, é que você não precisa abrir todos os arquivos RAW para fazer a conversão. Basta separá-las em uma pasta em seu HD e através do Image Processor realizar a conversão de todos eles de forma bem mais fácil. Veja como funciona!

1º) Com o Photoshop aberto, vá em:
File/Scripts/Image Processor (Arquivo/Scripts/Processador de Imagens).
A janela do Image Processor será aberta:
O procedimento de conversão de arquivos RAW para o formato JPEG é bastante simples. Dividi a tela em partes para que você possa entender como funciona.
Você pode converter as imagens que já estão abertas no aplicativo. Mas no exemplo deste tutorial, vamos converter os arquivos RAW que etão salvos em uma pasta em seu HD.
Clique em Select Folder (Selecionar Pasta) e navegue até o local onde estão seus arquivos em RAW e selecione a pasta de arquivos.
Você pode optar por salvar os arquivos JPEG dentro da pasta dos arquivos RAW, para isso, basta marcar a opção Save in Same Location (Salvar no mesmo Local).
Se você quiser salvar em outra pasta, clique em Select Folder (Selecionar Pasta) e na janela que abrir, selecione o local onde se encontra a pasta que irá receber os arquivos convertidos.
Selecione os tipos de arquivos e as opções para salvar os arquivos.
Salvar como JPEG ( Save as JPEG)-  Salva imagens no formato JPEG dentro de uma pasta denominada JPEG, na pasta de destino.
Quality (Qualidade) -  Define a qualidade de imagens JPEG entre 0 e 12. No caso deste tutorial configurei com o valor máximo.
Redimensionar para Ajustar (Resize to Fit) -  Redimensiona a imagem para ajustá-la às dimensões digitadas em Largura e Altura. A imagem preserva suas proporções originais.
Converter Perfil em sRGB (Convert Profile to sRGB) – Converte o perfil de cores em sRGB. Verifique se a opção Incluir Perfil ICC está selecionada para possibilitar que a imagem seja salva junto com o respectivo perfil.
Salvar como PSD (Save as PSD) -  Salva imagens no formato Photoshop dentro de uma pasta denominada PSD, na pasta de destino.

Maximizar Compatibilidade (Maximize Compatibility – Salva uma versão composta de uma imagem em camadas no arquivo de destino, para possibilitar a compatibilidade com aplicativos que não conseguem ler imagens em camadas.
Salvar como TIFF (Save as TIFF) – Salva imagens no formato TIFF dentro de uma pasta denominada TIFF, na pasta de destino.
Compactação LZW (LZW Compression) – Salva o arquivo TIFF usando o esquema de compactação LZW.
Após configurar a tela do Image Processor, clique em RUN (Executar) para iniciar a conversão de seus arquivos RAW para o formato JPEG.

Portfólios para clientes diferentes

Como devemos apresentar um portfólio para um cliente e como os clientes interpretam nossos portfólios?
Resumo do caso concreto: um casal procura um dos mais famosos fotógrafos de casamento de São Paulo e pede um orçamento. Casamento numa Igreja “simples” e festa “simples” para 150 pessoas num salão ao lado da igreja – os noivos sempre deixaram claro que economizaram num monte de coisas, mas que desejavam contratar aquele fotógrafo porque tinham se apaixonado pelo site dele. Na reunião com os noivos, o fotógrafo mostrou seu super portfólio com fotos maravilhosas nas melhores igrejas e salões de São Paulo (e muitas em casamentos na Itália, França, Miami e Los Angeles). Depois de muita conversa, o casal contratou o fotógrafo pelo menor orçamento possível. No dia do casamento, o fotógrafo foi lá e fez o trabalho – e teve que se virar, pois era uma igreja pobrinha sem muita beleza, ao mesmo tempo que o buffet tinha luz fluorescente no teto, um monte de extintores de incêndio e ventiladores horrorosos pelas paredes e quase nada de decoração, além de convidados pouco interessados nas questões estéticas. Quando o material foi apresentado para os noivos, ambos reagiram irritados, afirmando que aquelas fotos não se pareciam em nada com o portfólio que lhes fora apresentado na reunião. E tudo foi parar nas mãos de um juiz que, entendendo de fotografia pouco mais do que uma ameba entende, vai decidir quem tem razão.

Isso abriu as portas para eu escrever este texto e convidá-los a pensar – ou repensar – a forma como vocês trabalham no atendimento aos clientes. Para mim, está mais ou menos evidente que, ao preparar um portfólio, o fotógrafo escolhe um conjunto com as melhores fotos que produziu. Sem um pingo de hipocrisia, jamais vi um portfólio de casamento com pessoas “feias” (ou, pelo menos, fora daqueles padrões estéticos minimamente compreendidos pela sociedade como razoáveis), em ambientes sem decoração caprichada, sem uma luz “interessante” e, sobretudo, sem poder de encantamento. A vida é assim: sempre queremos mostrar o nosso melhor.
Mas, sempre existe um mas, raramente nos preocupamos com as expectativas que a exibição deste nosso “melhor” faz surgir na mente dos nossos clientes. E isso é terrivelmente complicado, pois nem sempre os noivos têm muito clara a noção de que muito da beleza das nossas fotografias decorre da beleza do ambiente, da beleza das pessoas e da qualidade dos sentimentos soltos no salão. Nem sempre os mortais compreendem que nós, fotógrafos, por melhor que sejamos, ainda assim dependemos minimamente de matéria-prima (ambiente, pessoas e sentimentos) para fazermos as nossas mágicas.

Indo direto ao ponto: não é mais correto, mais ético, mais sincero, termos portfólios que mostrem o quão competentes somos em situações classes “A”, “B” e “C”? E, pelo amor de Deus, não pensem nessas classes como algo relacionado ao poder econômico simplesmente. Pensem nessas classes como uma divisão relacionada à “qualidade da matéria-prima”.
Será que estarei sendo honesto quando, reunido com o dono de uma pousadinha na Praia Grande, que quer gastar no máximo R$ 1.500,00 para alguém fotografar a piscina e três quartos do seu empreendimento, lhe mostro como portfólio apenas fotos maravilhosas de resorts cinco estrelas que fotografei no Nordeste, na Riviera Francesa e no Caribe, com orçamentos de dezenas de milhares de reais, envolvendo o trabalho de dois assistentes, produtora, modelos e tudo o mais? Não seria mais honesto eu mostrar para aquele cliente qual a minha performance em trabalhos parecidos com aquele para o qual ele está me contratando?

Na minha opinião, trata-se da mesma questão colocada para o fotógrafo de casamentos. Por isso, defendo que os fotógrafos não devam ter apenas um portfólio, mas pelo menos três opções: uma que mostre a sua performance e talento quando a toda matéria-prima é adequada e acima da média (ambientes exuberantemente decorados, iluminação ambiente planejada, luz do DJ ajudando nos efeitos, gente bonita, bem vestida, maquiada e disposta a interagir com o fotógrafo). Uma que mostre o talento do fotógrafo quando tudo é mediano (pessoas normais, num ambiente sem sofisticação, mas bem arrumado). Uma opção que mostra a capacidade do fotógrafo em criar a partir do nada (pessoas difíceis de serem fotografadas – seja pela estética seja pelo comportamento – num ambiente estéril – praticamente sem decoração e com iluminação de padaria).
Acho que esta postura é mais honesta, mais ética e mais transparente, além de deixar sempre bem claro para os clientes que, embora o fotógrafo tenha responsabilidade pela documentação coerente e sensível do evento, outras decisões tomadas pelo noivo na organização do seu casamento interferirão no resultado das fotografias.
Obviamente isso muda quando o fotógrafo atua num nicho bem específico e todos – ou a grande maioria de seus clientes – dispõe de orçamentos parecidos, gostos parecidos e montam eventos semelhantes.

Para concluir, voltando ao caso concreto, sinto cheiro de má-fé e oportunismo nos clientes. Mas, como fotógrafo que sou, percebo que – ainda que eu abstraia todas as interferências da simplicidade do ambiente e da pouca plasticidade das pessoas no resultado final das fotos feitas pelo meu cliente – todas as fotos do portfólio que ele apresentou tinham pelo menos uma luz de flash auxiliar fora da câmera fazendo o contra nos noivos ou ajudando a valorizar a cena (isso quando não havia dois ou três assistentes ajudando com flashes TTL no entorno). E em nenhuma foto do casamento problemático havia uma segunda luz. O fotógrafo fez todo o casamento com apenas um assistente na segunda câmera e com o flash na sapata, afinal, no orçamento não sobrou grana para um assistente de iluminação. E nós sabemos que uma segunda luz faz uma tremenda diferença no resultado final. E nem a base da luz criada ficou igual àquilo que o portfólio mostrava.

Será que aqueles clientes não deveriam saber que, pelo valor que eles desembolsariam, eles sequer receberiam uma base de iluminação semelhante aquilo que lhes foi mostrado no portfólio? Como diria James Lovell, comandante da Apollo 13, “Houston, we have a problem”.

Evite erros ao fazer seu SEO

Para ser sincero, SEO tem a tendência de ser algo bem técnico e chato, mas a minha abordagem é mais pratica. Eu não sigo todas as regras avançadas e difíceis, mas ainda consigo obter muitos resultados. Aliás, tem sido o que tem mantido o meu estúdio aberto em meio à crise econômica que veio como uma onda gigante aqui nos EUA.
Talvez, você seja uma pessoa do ramo de TI e não concorda com a minha forma de fazer o SEO, mas sem problemas. Eu vou compartilhar o que tem funcionado para o meu business de fotografia. Essa série será para pessoas que não conhecem SEO, mas que querem aprender os fundamentos básicos de uma forma consistente e realista.

Ou seja, somos donos de negócios, pais e mães, e alguns até têm outra profissão e na realidade, não necessariamente, queremos aprender SEO, mas sim queremos ser achados online para sermos contratados, para termos novos clientes. Antes de mais nada, acho importante falar sobre os três maiores erros que vejo fotógrafos cometendo em relação a SEO.
Erro #1 – Acreditar no tal mito: Ser achado na primeira página do Google vai encher minha agenda e resolver todos os meus problemas. Se você está com a agenda vazia, pare e pense onde você está perdendo clientes.
No website: Estou tendo visitas, mas essas pessoas não estão entrando em contato;
No e-mail ou telefone: Estão me ligando ou passando e-mail, mas não estão agendando quando informo os preços e detalhes do serviço, etc;
Na reunião: cliente marca encontro com você, mas mesmo assim não te contrata.
Em todas essas situações existe uma desconexão de marca, de mensagem ou, simplesmente, de comunicação. É importante observar onde você está perdendo clientes para poder fazer modificações. Vamos abordar o primeiro problema:

Ser encontrado no Google é muito bom e SEO pode ajudá-lo a fazer isso, mas é apenas o início da batalha. Você ainda precisa transformar o visitante/clique em um cliente. O propósito final é ser contratado, não é? Posso ter mil visitantes em um só dia, mas se eu não tiver um website legal, clean, fácil de navegar e nem um ótimo portfólio, dificilmente um dos mil visitantes vão agendar comigo.
Qualidade vai sempre vencer quantidade. Ser achado é a só metade do caminho, eu ainda tenho que dar uma boa experiência para o visitante e passar segurança de que sou um profissional bom e que ele/ela pode me contratar sem medo.
O nosso trabalho tem tudo a ver com confiança, então, se meu website é o primeiro contato que o cliente terá, ela precisa transmitir profissionalismo e confiança. Uma indicação que seu site precisa ser mexido é o índice no Google Analytics, chamado Bounce Rate, que mede se a pessoa, ao entrar no seu site, está saindo pela mesma página que entrou. A pessoa não prosseguiu a navegação por  outras páginas por que não gostou do que encontrou e logo saiu. Isso indica para o Google que o site não foi uma boa referência da busca.
Às vezes, não porque não tenha gostado do seu trabalho, mas sim porque seu site não foi compatível com as palavras que ela usou para a busca. Pode ser também que seu site esteja difícil de navegar. Então, se o seu Bounce Rate estiver alto, você precisa rever como estão o design, o seu portfólio e os dados.  Uma dica que posso dar é um famoso ditado aqui nos EUA, que diz o seguinte: “Menos é MAIS”.

Ou seja, às vezes algo mais simples e clean fala muito mais alto do que um design muito elaborado cheio de efeitos. Avalie seu design e também se o cliente consegue chegar na sua galeria de fotos de forma fácil e rápida. Às vezes, nós fotógrafos, colocamos barreiras e fazemos o acesso à nossa galeria difícil porque pensamos como fotógrafos e não como o cliente.
Devemos garantir que o nosso website seja funcional porque o visitante não é fotógrafo. O cliente visitante precisa saber onde clicar, como voltar no home page e como ver outras galerias. Para isso coloque setas, textos e faça tão fácil que até uma criança saberia navegar no seu site.
Se você não sabe se seu site tem esse tipo de problema, é só olhar na área do Google Analytics onde diz Bounce Rate. Esta área oferece informações e conteúdo para que seus clientes fiquem mais tempo no seu site.
Quanto mais tempo um usuário ficar no seu blog ou website, mais o Google vai gostar e recomendar.  Em resumo, antes de trabalhar no seu SEO, e necessário obter um site/ blog  profissional, definir a sua marca e público-alvo, e passar sua mensagem de uma forma clara com um bom portfólio e um website fácil de navegar. Para testar a rapidez do seu site, recorra a sites como Pingdom.
Erro # 2 – O mais grave: Pensar como um fotógrafo e não como um cliente!  Fotógrafos frequentemente usam palavras da indústria, como sessão, e-session, first look, mini-wedding e esquecem que, geralmente, seu cliente nunca precisou contratar um fotógrafo antes. Por isso, na maioria das vezes, não está usando esses termos em suas buscas no Google.

É verdade que algumas palavras acabam entrando no vocabulário cotidiano, mas para ser achado no universo online é preciso usar linguagem mais simples. Eu chamo de linguagem “genérica” e aqui vão alguns exemplos:
Seus clientes em potencial vão usar palavras/frases, como “fotos da gravidez”, “fotos de grávida”, “onde tirar fotos de grávidas”, “fotos de noivado antes do casamento”, “ideias para fotos de noivado”, “melhor fotógrafo de São Paulo”, “fotógrafo moderno para fotos de família no parque”, “o que vestir para tirar fotos profissionais”, “imagens de fotos de noivado”, “fotógrafo para eventos”, e outras palavras muito comuns.

O valor de sua experiência

Como convergir o aprendizado obtido em fotografias melhores? Esse é o grande desafio e a grande missão de toda lição que nos é oferecida, a de ser eficaz na transformação. E sendo eficaz, isso se reverte para um aumento do valor do trabalho e do fotógrafo, e consequentemente mais lucro.

Porém, ao mesmo tempo em que crescemos e nos transformamos dentro da fotografia surge outra dúvida: como fazer nosso cliente observar tal mudança?
Aos olhos do cliente apenas dois aspectos estão envolvidos na formulação do valor: o tempo decorrido para execução do trabalho e o valor agregado dos produtos (livros, impressões, quadros, etc).
Isso significa que dificilmente seu cliente conseguirá reconhecer os valores intrínsecos do seu trabalho, e incluo nestes valores: o aspecto de singularidade da sua obra (a percepção do raro), a experiência, a cultura, a sensibilidade e o seu conhecimento.

Todos estes valores citados são necessários para a produção de uma fotografia, mas é somente a própria fotografia que se torna visível e palpável para o cliente. Todo o esforço “invisível” contido nesse simples ato de apertar o botão é igualmente invisível para o cliente.
Então como estabelecer o valor do abstrato, do invisível? Como colocar preço no conhecimento adquirido através de congressos, cursos, workshops, livros? Quanto cobrar pela experiência, pela sensibilidade, pela capacidade de detectar e resolver problemas com agilidade? Quanto cobrar por tudo aquilo que o cliente não vê?
É fácil colocar na tabela de custos o valor dos cursos, congressos, livros, etc. Difícil é mensurar o quanto estes mecanismos de aprendizado agregam de valor depois que o conteúdo foi assimilado e colocado em prática.

Felizmente não há, e nunca haverá, uma tabela ou uma fórmula exata para quantificar o quanto vale o conhecimento. Digo felizmente, pois, se houvesse então nossa fotografia perderia ser valor artístico para ter apenas um valor comercial, meramente fruto de uma tabela de preços.
Porém, essa feliz subjetividade também trás consigo um grande desafio e um problema, que é quando os fotógrafos (ou artistas em geral) não dão o devido valor ao próprio trabalho, cobrando valores irrisórios ou muito abaixo do que realmente valem.
Se não há fórmulas então estamos perdidos? Também não. Em especial os fotógrafos iniciantes têm mais dificuldades em mensurar o valor do seu conhecimento, mas é a própria experiência que nos mostra que devemos valorizar tudo aquilo que vamos agregando na vida para melhorar nossa fotografia.
Dar valor ao seu conhecimento é reconhecer seu próprio trabalho, e não somente valorizar o esforço físico e o tempo gasto para executar e tratar uma fotografia.
Obviamente que o esforço físico e o tempo também devem ser considerados na formação de preços – conforme disse no artigo Quanto custa seu tempo – assim como os outros elementos que compõe o valor de um trabalho, porém não devemos nos pautar somente sobre eles para formular nosso preço.
Fazendo um paralelo com as outras artes, sabemos que um pintor não estabelece o valor da sua arte pelo tempo que levou para pintar, nem um compositor cobra somente pelas horas que gastou para escrever, todos eles cobram por algo que não conseguimos enxergar, mas que podemos sentir.

E talvez esteja exatamente no sentir a resposta de todas as perguntas acima. Quando seu cliente sente emoção ao ver seu portfólio, quando é possível tocar o coração da noiva ao mostrar um vídeo, aí então está o reconhecimento também do seu cliente.
Seu cliente não verá as horas que você passará debruçado sobre livros, não terá ideia dos esforços que você fará para ir até um curso ou congresso, mas se todo esse esforço aplicado realmente se converter em uma mudança da sua fotografia, pode ter certeza: ele irá sentir.
Tendo este reconhecimento, é hora de colocar preço nele.
Como disse, não há uma fórmula ou um método para quantificar o conhecimento, mas há algumas dicas que talvez possam valer a pena:
- Valorize-se, acima de tudo! Valorizar-se não é apenas saber cobrar caro, mas ser justo consigo mesmo;
- Renove seu portfólio constantemente. Se estamos constantemente em processo de transformação, nosso trabalho também deverá estar. Atualizar o portfólio é mostrar para o seu cliente como é o seu trabalho atual;
- Aumente seu preço conforme o tempo. Não dá pra começar cobrando o máximo que você gostaria de ganhar. Aumente o preço gradativamente conforme o seu nível de conhecimento vai evoluindo. Um trabalho artístico não é pautado pelos índices da inflação, então não tenha medo de reajustar seus valores a cada seis meses ou um ano;
- Atenda uma fatia de mercado específica, assim você poderá direcionar seus aprendizados para esta clientela – veja sobre o assunto no artigo Preço Baixo x Diferencial;
- Pratique o que aprendeu. A dica é óbvia, mas sempre convém lembrar que o ensinamento não praticado acaba sendo esquecido. Aproveito para citar o grande mestre Paulo Freire: “A teoria sem a prática vira verbalismo, assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade”.

- Tenha humildade para aprender e sabedoria para ensinar. Simples assim.
- Para todas as coisas há um sempre um jeito novo de fazer, uma forma diferente de operar. Então mantenha os olhos, os ouvidos e o coração abertos para tudo que possa lhe ser ensinado. Você nunca saberá tudo, e isso é uma dádiva!

Conheça o Cherish The Dress

Uma nova tendência em fotografia de casamento tem feito a cabeça de noivas pelo Brasil. A modalidade, que teve início nos EUA com o fotógrafo Chris Hanley, chamada “Cherish The Dress”, foi importada no país pelo fotógrafo gaúcho Lucas Lermen.

Lucas explica que em vez de sujar ou estragar o vestido, como no caso do “Trash The Dress”, esse tipo de ensaio consiste em ressaltar o glamour dos trajes do grande dia e mistura bom humor, elegância, ousadia e um toque de arte na produção. “Nada de vestidos na água ou sujos. Que direito teria eu de estragá-los? A ideia é valorizá-los ainda mais”, ressalta o fotógrafo.

Logo que conheceu a proposta, em 2010, Lucas conta que se viu encantado com esse estilo e pensou em trazê-lo imediatamente para o país também. “Me identifiquei com o conceito do ensaio por ser ao mesmo tempo ousado e moderno, mas clássico e duradouro. Algo mais atemporal e que, de certa forma, mantém o respeito ao ritual do casamento e combina com a minha fotografia”, acrescenta.

Segundo ele, o ensaio Cherish The Dress, normalmente, é realizado após o casamento. Pode ser um dia depois, uma semana, um ano ou até mesmo quando o casal preferir. Não existem regras. Além disso, os ensaios são feitos em ambientes fechados e requintados, como hotéis, SPAs, cafés, e seguem um padrão de qualidade de luz nas fotos, sem abusar de flashes.