segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Medir a iluminação

Primeiramente, vale ressaltar que fotografia é o registro da luz refletida pelos objetos e que chega até o filme (ou sensor no caso das câmeras digitais). Sendo esta o registro da luz, nada melhor que saber como medir a luz ou como a câmera mede a luz para se conseguir fazer fotografias melhores.

Existem dois modos de se medir a luz:
Medição da luz incidente. Essa é a mais usada em estúdio, onde o fotógrafo tem a disposição um equipamento chamado fotômetro, que mede a luz que está chegando até os objetos a serem fotografados. Esse equipamento retorna para o fotógrafo os valores de abertura e tempo de exposição (assuntos do terceiro artigo da série) que devem ser usados para a sensibilidade de filme (ou de regulagem do sensor) escolhida – normalmente em estúdio, onde as condições de luz são controladas essa medição é realizada no inicio da seção fotográfica ou toda vez que o arranjo de iluminação é alterado.
Medição da luz refletida. Essa é a forma que as câmeras fotográficas usam para fazer a medição. A luz refletida pelos objetos é capturada pela lente e incide no fotômetro interno da câmera, esse retornará a medição da luz e fará os ajustes de abertura e tempo de exposição caso a câmera esteja no modo automático ou indicará a quantidade de luz no visor da câmera. Essa indicação pode ocorrer de diversas formas, nas câmeras de filme é comum encontrar uma “agulha” na lateral do visor que indica muita luz quando aponta para cima e pouca luz quando aponta para baixo, nas câmeras digitais essa indicação normalmente ocorre por meio de uma “régua” graduada de -2 até 2.

A medição de luz mais precisa é a medição de luz incidente, mas nem sempre temos um fotômetro de mão a disposição e quase nunca, quando fora de um estúdio ou local de dimensões pequenas podemos nos dar ao luxo de usá-lo.
Assim, é muito bom saber como o fotômetro da câmera interpreta a luz refletida para nos retornar a medição. A câmera fotográfica seja ela digital ou analógica (de filme) mede a luz no seu fotometro interno, “pensando” que a luz que está chegando é a luz refletida por um objeto cinza médio (que reflete 18% da luz incidente). Essa forma de interpretar a medição de luz, nem sempre representa a realidade da cena a ser fotografada.
A principio, dois problemas podem ocorrer com essa forma de medição de luz refletida em conjunto com a câmera “acreditar” que a luz está sendo refletida é a vinda de objeto cinza médio. Se você tenta fotografar uma noiva na neve e não fizer ajuste algum tanto a neve quanto o vestido da noiva parecerão cinzentos na foto (resultado de uma subexposição), o outro caso é o inverso desse, ao fotografar um gato preto numa pilha de carvão também teremos uma imagem cinzenta (resultado da superexposição). Essa são fotos difíceis de serem feitas pois é preciso ter muito cuidado para não fazer o vestido ou o gato sumirem no cenário, no primeiro caso é preciso tomar muito cuidado para não haver o estouro do branco (regiões da foto onde não é possível identificar textura alguma simplesmente fica um branco total na região da foto), no segundo caso, pode se ter a perda total de informação numa sombra.

Para corrigir o problema de medição errada de luz é preciso tirar a câmera do modo completamente automático (aquele normalmente indicado por um ícone de uma câmera verde). As câmeras digitais mais simples podem não ter outro modo que não seja o automático, fuja desses modelos na hora da compra, se você pretende ter controle sobre a fotografia – algumas câmeras só permitem esse tipo de ajuste nos modos de cena, mas ter somente esse tipo de opção é conseguir fazer fotos seguindo certos padrões planejados pelos projetistas da câmera, isto é, é estar fora do controle da sua fotografia.
Uma câmera razoável terá o modo “P” que é um automático que permite certos ajustes manuais (permite alterar o ISO – visto no quarto artigo dessa série – e ajustar a compensação de exposição, além de poder forçar o uso do flash), já uma boa câmera terá os modos de prioridade de abertura e prioridade de tempo (abordados no terceiro artigo dessa série), além do modo de controle manual - “M”.
Supondo que se tenha em mãos uma câmera razoável, ao usar o modo “P” podemos fazer a compensação de luz, ajustando para mais ou para menos a forma da câmera interpretar a luz que está sendo refletida pelos objetos. Nos nossos exemplos, ao se fotografar uma noiva na neve será preciso ajustar a câmera para que ela deixe entrar mais luz que a medida pelo padrão do cinza médio, assim os brancos sairão brancos, esse ajuste não deve ser exagerado pois se assim ocorrer teremos o estouro do branco. O mesmo deve ser feito para se fotografar o gato preto na pilha de carvão, deve-se informar à câmera para considerar menos luz refletida. Esse ajuste é realizado fazendo o indicador de medição de luz (régua graduada de -2 até 2, na maioria das câmeras) ficar para o lado desejado, positivo para o caso da noiva e negativo para o caso do gato.
Existem outros casos em que é interessante se usar o ajuste de compensação de luz. Em dias ensolarados pode ser interessante deixar a câmera regulada para menos (-1/3 ou -2/3) pois assim evita-se que regiões de alta luz fique estourada na imagem. Por outro lado, quando não existe perigo de ocorrência de estouro das altas luzes, pode ser interessante ajustar para mais ( 1/3 ou 2/3) de forma que as regiões de sombra fiquem com menos ruído e apresentem maiores detalhes na região de sombra.

Além de saber informar a câmera para justar a medição da luz refletida, é importante saber como a câmera faz a medição da luz. A maioria das câmeras mais simples tem apenas a medição total do quadro, onde é medida toda a luz que entra. Algumas câmeras mais avançadas possuem o modo parcial e parcial ponderado com a luz sendo medida na região mais do centro do quadro com ou sem levar em conta a luz nas bordas do quadro. Por último, só encontrado em câmeras mais avançadas, existe o modo pontual, que é usado por quem deseja fazer a medição de regiões específicas para decidir que abertura e tempo de disparo utilizar.