segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Fotografia de silhueta em estúdio

A simplificação das formas nos remete a uma estética realmente pura‚ de extremo bom gosto e leitura direta. Uma silhueta é sempre algo sutil e plástico‚ mostrando o nu de forma anônima. Trata-se provavelmente do primeiro trabalho envolvendo nu para a maioria dos fotógrafos‚ exercício este que vem ganhando vulto comercial no segmento de fotografia de gestantes em vários estúdios por todo o país.

Para que a modelo mostre uma silhueta perfeita‚ a direção atenta do fotógrafo é essencial‚ porque tudo se funde em uma única massa escura ’ o corpo da retratada. Um braço passando pela lateral do corpo da modelo nem será visto e se estiver à frente ou atrás do rosto se fundirá com o mesmo‚ tomando um aspecto estranho ao invés de definir os contornos.
Outro problema bastante comum é relacionado à timidez. Algumas modelos pedem para usar um sutiã ou top para não deixar os seios à mostra‚ mas o resultado fica invariavelmente horrível‚ como se fosse um peito de pombo ’ nada que não possa ser consertado no Photoshop‚ mas‚ como defensor da velha escola‚ prefiro‚ sempre que possível‚ não alterar a realidade.
A iluminação é um dos fatores mais importantes para a realização de uma boa sessão de fotos em silhueta; basicamente trabalhamos com o fundo (background) estourado e sem nenhuma luz iluminando o modelo frontalmente. Existem variações de luz de fundo que tornam a silhueta ainda mais interessante‚ como iluminá-lo somente com uma colméia ou com uma parabólica e gelatinas coloridas.

Para a silhueta apresentada neste artigo‚ utilizei uma Nikon D-200 com objetiva Tokina 100mm‚ gerador assimétrico de 1200W Incoflash‚ duas tochas com parabólicas apontadas para o fundo e dois anteparos pretos posicionados entre as tochas e a modelo. A função dos anteparos é unicamente minimizar a luz refletida no fundo‚ impedindo que o retorno ilumine a modelo. Propositalmente‚ afastei ligeiramente o anteparo da esquerda para permitir que entrasse um pouco de luz lateral‚ ganhando algum volume final e definição‚ mas ainda assim preservando o anonimato da retratada.
A medição realizada com ISO 100 apontou f.22 (medidos no fundo) e 1/250s de velocidade‚ isso porque o gerador estava na potência mínima‚ ou seja‚ neste caso não é interessante o uso de flashes com alta potência‚ pois muitas objetivas nem fecham até f.22 ou menos‚ sem contar que aberturas mínimas causam um fenômeno conhecido como difração‚ que diminui a nitidez e luminosidade nas bordas da imagem (nos equipamentos digitais esse problema é mais perceptível se comparado ao uso de filme).
Depois do ensaio‚ um leve ajuste no brilho e contraste são sempre necessários. Os níveis de correção tornam-se uma escolha pessoal‚ que no meu caso recai para um contraste mais alto‚ remetendo a imagens mais gráficas‚ como gravuras artesanais gravadas em pedra ou madeira.