segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Configurando a câmera para preto e branco

Não tenho muito gosto para ficar horas na frente do computador editando fotografias e, se for para fazer uma configuração básica (script do editor) para fazer o processo automatizado, prefiro fazer as configurações na própria câmera e já ter uma saída em arquivo do jeito que gosto.
Configurar a câmera para fazer as fotos P&B tem vantagens e desvantagens. Na lista das desvantagens, a que mais me preocupa é não ter uma versão colorida da imagem para poder ver e aproveitar, se a câmera tiver opção de fotografar em RAW e JPEG simultaneamente (ser como algumas compactas que, quando seleciona imagem P&B, fazem as duas versões) isso deixa de ser problema.

Como principal vantagem de se fazer um P&B na própria câmera, vejo o fato de não precisar ficar horas aprendendo como editar uma imagem colorida (RGB), para que ela fique com um P&B de boa qualidade, muitos programas de edição tem plug-in específicos para isso, mas demanda um tempo extra de aprendizado.
Uma conversão na própria câmera, certamente, é feita antes de um processo que mistura o mosaico RBG do sensor (*) para gerar um arquivo final RGB (quem fotografa em RAW, faz esse e outros processos no computador em vez de no processador da câmera, mas isso é outra história – escreverei sobre isso em outra oportunidade). É claro que a mistura do mosaico vai ocorrer, mas não será feita da mesma forma que o processo para se agrupar os pixels individuais de cada cor (filtros na superfície do sensor) em um único pixel RBG (quem edita uma imagem JPEG colorida, para fazer uma imagem P&B, costuma usar uma técnica de separar cada canal de cor RBG e tratá-los individualmente de forma a ter um melhor resultado). Um fotógrafo experiente em filme P&B pode aproveita essa facilidade da conversão interna na câmera para poder usar todos os filtros óticos na frente da lente e não ter que aprender um monte de coisas do processo de edição na pós produção.

Outra vantagem da conversão na própria câmera, principalmente em DSLR (compactas avançadas também costuma ter) é poder simular o uso dos filtros coloridos, que podiam (continuam podendo, como dito acima) ser colocados na lente para acentuar ou suavizar certos tons de cinza para certas cores da cena. É claro que isso poder ser feito no computador, mas, para um iniciante, poder contar com um resultado imediato facilita o aprendizado dos conceitos antes dele ter que ficar lendo um monte de informações para compreender como editar suas fotografias.
O mundo ideal para se fazer uma fotografia P&B digital, seria que as câmeras tivessem um sensor específico para o P&B, internamente um sensor tem um mosaico de pontos com filtro que só deixam passar uma das cores primárias RGB para cada ponto (é comum ter mais pontos de captura para o verde – R – que para o azul – B – e o vermelho – R), gostaria de possuir uma câmera digital que eu pudesse trocar o sensor retirando o para cor e colocando o para P&B dependendo do que desejo fazer, acho que um sensor especializado faria fotografias P&B com mais nuances de cinza, como nos bons filmes, que uma conversão.

Esse texto pode parecer um pouco técnico (por tratar da tecnologia da fotografia digital), não se prenda aos detalhes técnicos tentando entendê-los de imediato.
Comece sempre lendo o manual da sua câmera e tente, sempre, explorar ao máximo tudo que ela pode oferecer.

Bom estudo e boas fotos.
(*) Cada fabricante de sensor, tem a sua forma de geometria do mosaico RGB, alguns colocando um pixel de contraste outros deixando mais pixels verdes que azul e vermelho (com base na fisiologia do olho humano). Também existe um tipo de sensor – Foveon – construído em camadas, que funciona da mesma forma que os filmes fotográficos coloridos.
Fonte: Revista Fotomania