segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Busca fotográfica

Atualmente a tecnologia abreviou muitos processos dentre eles a fotografia em especial. Se pegarmos as reportagens publicadas principalmente em revistas‚ fatalmente iremos nos deparar com imagens e informações garimpadas na Internet. Hoje em dia é muito fácil entrar em um site de busca e lá conseguir todas as informações necessárias para se escrever uma matéria ou mesmo conseguir uma imagem do local. Deixou de existir a necessidade de se estar no local para poder documentar o que existe lá.
Mas o que tudo isso tem haver com fotografia? A grande questão é buscar as suas imagens sob um ponto de vista muito pessoal. A tecnologia está cada vez mais condicionando as pessoas a acharem que uma boa foto está obrigatoriamente vinculada à um equipamento de ponta. Se tenho um grande poder aquisitivo‚ sou um bom fotógrafo. Do contrário‚ minhas fotos nunca serão tão boas quanto as dos outros. O que muitos esquecem é que a câmera depende de alguém para apontá-la para um objetivo‚ dizer para ela o que ver e como ver e ainda por cima apertar o gatilho. Sozinha as câmeras fotográficas digitais ou analógicas‚ pouco podem fazer.
Talvez a tecnologia permita que a maior parte das imagens saiam com uma qualidade de iluminação adequadas‚ mas e o diferencial? Somado a isso vem à questão de buscar a fotografia. Investir tempo e dinheiro em visitar locais diferentes que possam render boas imagens. Quem nunca pegou um livro do Sebastião Salgado‚ Pedro Martinelli‚ ou Cristiano Mascaro dentre inúmeros outros ícones da fotografia nacional e não se impressionou com as imagens contidas lá. Mas o que esses fotógrafos têm de tão especial? Por que eles conseguem imagens que para nós parecem inalcançáveis? Talvez o grande diferencial esteja em eles buscarem a fotografia onde ela realmente está. Ir de encontro aos fatos e personagens utilizando a câmera apenas como ferramenta de registro e não como item principal do seu trabalho. E porque tantas pessoas se preocupam cada vez mais com equipamentos? Conhecer a técnica é fundamental e fazer dela um meio de se expressar é tão importante quanto.
Mas hoje eu vejo mais pessoas se gabando dos equipamentos que possuem do que exatamente do trabalho que estão realizando. Será que esse é o futuro? Se seguirmos assim pode ser que um dia ao lermos a legenda de uma foto nos deparemos com frases do tipo: Nikon D500 disparada por Fulano de Tal. Seria estranho‚ né? Confesso que eu não sou tão pessimista quanto ao futuro da fotografia. Acredito que com a revolução do digital‚ haverá em breve uma enorme valorização dos fotógrafos. A qualidade técnica passará a ser um padrão‚ mas profissionais começarão a se destacar pelos pontos diferenciais de suas imagens. Será cada vez mais forte a identidade de uma imagem e quem pretende se destacar na fotografia deverá se preocupar em buscar o seu diferencial.
Na fotografia‚ como toda arte‚ devemos buscar motivos que nos motivem a fotografar e linguagens que consigam transportar todas as nossas expectativas e emoções. Uma das grandes falhas de boa parte dos fotógrafos é ter a pretensão que o mundo inteiro goste de suas imagens com intensidades homogêneas. Isso é um erro e muitos acabam fazendo uma fotografia pasteurizada‚ sem tempero. É impossível agradar a todos. Cada pessoa possui a sua própria biblioteca visual e isso faz com que cada imagem seja avaliada e julgada de uma forma muito particular. Até mesmo o estado emocional de uma pessoa afeta a opinião dela sobre uma imagem. Sendo assim‚ devemos buscar o nosso diferencial com afinco e tentar pensar o que pretendemos com cada imagem. Por que eu fiz determinada foto? O que me motivou a apertar o disparador naquele momento e com aquela configuração de equipamento? Isso é muito importante. Há pouco tempo atrás perguntei para alguns fotógrafos quais eram as primeiras pessoas que viam as suas imagens. Muitos me responderam que membros da família eram os primeiros a ver as imagens. Isso é muito importante mas todo mudo sabe que mãe acha lindo tudo o que o filho faz.