segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A importância da fotografia vernacular

Muito se fala sobre a fotografia profissional, a boa fotografia, os princípios corretos, conceitos, etc. Em geral, trata-se a fotografia amadora com descaso, como algo sem importância ou sem valor.
Nos últimos dias, tenho acompanhado um curso de fotografia da Universidad Panamericana pelo iTunes U. Em uma das aulas, o professor Oscar Colorado Nates fala exatamente da fotografia vernacular (ou cotidiana). Ele ressalta que o valor desse tipo de fotografia não está em sua técnica ou em sua arte, mas no registro de um momento, de um local, de uma memória, algo que pode não estar ali posteriormente.

Ou seja, a fotografia vernacular é aquela que registra algo corriqueiro, em que a análise do observador deve ser essencialmente subjetiva, a despeito de ser, em geral, uma fotografia ruim objetivamente, em termos de técnica ou arte. O importante é o contexto em que aquela fotografia está inserida, o momento retratado, as pessoas, a época, o local. Por exemplo: uma foto de família, de um batizado, uma reunião entre amigos, uma viagem, etc.
Creio que muita dessa aversão ao “amador” venha de uma certa arrogância existente entre profissionais da fotografia. Primeiro, pela popularização ocorrida com o barateamento da fotografia digital. Segundo, porque muitas vezes amadores não sabem se portar corretamente em determinadas ocasiões, chegando a atrapalhar o trabalho profissional.

Mesmo sem as devidas preocupações formais, a fotografia cotidiana, amadora por muitas vezes, não deve ser menosprezada. Claro que isso não pode se confundir com o trabalho sério de um fotógrafo, ou seja, querer que alguém sem preparo algum registre algo formalmente ou profissionalmente. Mas todo registro tem sua importância e não deve ser esquecido.