quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O foco merece toda a sua atenção

O sistema de autofoco das câmeras está cada vez mais sofisticado, mas não exclui as decisões do fotografo. Veja como aproveita-lo

O foco é um dos ajustes mais importantes durante o registro de fotos e vídeos. Ele permite que o assunto principal tenha destaque, ao mesmo tempo que guia o olhar do observador entre os elementos na imagem, aprimorando a percepção visual. Embora a profundidade de campo permita certa margem de erro, a focalização merece muita atenção, principalmente quando se usa o sistema de foco automático.
As câmeras digitais oferecem varias formas de se realizar esse ajuste. O mais preciso deles continua sendo o modo manual, feito por meio do anel na objetiva, pois o fotógrafo consegue determinar com exatidão em que plano estará o foco. Primeiro você decide o que é importante. Aí você decide o que tem que ficar em foco. Aí você faz o foco. Sim, existem fotos boas sem foco algum, mas via de regra o fotógrafo fez isso de propósito. Não foi porque ele estava com preguiça de estudar, foi porque uma foto fora de foco era o objetivo.

Se esforce para conseguir fotos focadas. De vez em quando algumas podem não sair perfeitas, o foco pode estar errado, mas a foto ainda está bonita. Tudo bem, uma ou outra passa. Nem os melhores fotógrafos escapam disso (na realidade fico aliviada quando vejo uma foto de um fotógrafo famoso com um foco um pouquinho errado, sinto que eles são humanos também.)
Autofoco por fase e por contraste
As DSLRs são equipadas com dois sistemas de autofoco, que funcionam por diferença de fase ou de contraste. Quando se fotografa pelo visor, a imagem projetada é separada em duas e direcinada a um sensor dedicado ao foco, situado no interior da caixa de espelhos. Não podemos negar que os ajustes automáticos facilitam a vida do fotógrafo, mas existem situações em que o foco automático não funciona como o esperado. Esta limitação é evidente quando fotografamos em ambientes escuros, por exemplo.

Outra situação é quando há objetos entre a câmera e o motivo principal de sua composição. A câmera não tem ideia do que sua mente criativa está planejando, e o sistema automático foca o objeto mais próximo que encontrar. Na imagem abaixo, isto faria com que a ave ficasse fora de foco e os ramos próximos da câmera nítidos. O sensor infravermelho costuma ficar perto da lente. Então, para focalizar o objeto, é preciso colocá-lo no meio do quadro e apertar o disparador até a metade. Quando a câmera sinalizar que focalizou o objeto, através de um apito ou um sinal na tela, você pode colocá-lo em qualquer lado do quadro, sem soltar o disparador. Depois é pressionar até o final para fazer sua foto.
Em alguns modelos, basta pressionar botões específicos para acionar o foco manual. Caso a câmera não tenha o botão “MF”, é preciso utilizar o menu de configuração.
Modos de autofoco
Geralmente as DSLRs oferecem três modos de autofoco, úteis para diferentes situações de cena. No modo simples, denominado One-Shot AF, nas câmeras da Canon, e AF-S Single-servo, nas da Nikon, o foco é ajustado e travado a cada disparo. Confirme se a câmera está operando no modo manual. No visor, procure pelo ícone MF (“manual focus”). Utilize as setas, o anel giratório ou o “joystick” da câmera para configurar o foco.
A barra que aparece na tela representa a distância que você está focando. Aproximando o ponto de ajuste do símbolo “infinito”, o que estiver distante será focado, e do símbolo da “flor”, o que estiver mais próximo será focado.
As câmeras analisam a diferença de pixel em pontos específicos do visor. A quantidade de pontos de focalização pode variar de acordo com cada modelo. Isso traz algumas vantagens. Caso você queira enquadrar um objeto em um canto da imagem, por exemplo: se o fundo for uniforme, você pode deixar a câmera parada onde quer compor a imagem e pressionar o disparador levemente. O ponto no qual houver maior contraste vai ser aquele em que vai haver a focalização. Essa é uma vantagem limitada
Nas DSRL que possuem a chave de seleção no corpo da câmera e na lente, a configuração que prevalece é a da lente. As lentes que possuem o modo “M/A”, a configuração que prevalece é a do corpo da câmera.
Para configurar o foco manual, gire o anel de foco na lente. A posição do anel varia de acordo com o modelo e marca. As unidades de medidas empregadas são metro (m) e pés (“ft”).

O autofoco ativo recebe esse nome porque a câmera emite algum tipo de energia para detectar a distância do objeto fotografado. Os primeiros sistemas funcionavam como uma espécie de sonar. Emitiam ultrassom e calculavam o tempo que o eco demorava para voltar. Assim, determinavam a que distância o objeto fotografado estava da câmera e ajustavam o foco. Os modelos mais recentes utilizam um sistema parecido, mas emitem pulsos de luz infravermelha.
Para destacar a pessoa (ou animal) de seus retratos, foque os olhos e utilize uma abertura grande para diminuir a profundidade de campo e obter o efeito “fundo desfocado”. Na imagem abaixo, por exemplo, o fotógrafo utilizou uma abertura de 2.8/F.

Use a trava de autofoco
Veja como ajustar sua DSLR para autofoco simples e fotografar assuntos que não estejam no centro do quadro
Habilite o autofoco. Em uma câmera da Canon, procure a chave AF-MF na objetiva e deixe-a na posição AF. Em algumas câmeras da Nikon o mesmo ajuste da lente deve ser feito no corpo, escolhendo a posição automática nas chaves AF-M
Ao usar o modo automático e a câmera insistir em desfocar o que já foi focado, mude para o modo manual assim que o foco perfeito for obtido. Desta maneira você “congela” o foco na posição que desejada.

Em ambientes escuros, ilumine o ponto desejado com uma lanterna, “encontre o foco ideal” com o modo automático, alterne para o modo manual e fotografe. Esta foi a técnica utilizada pelo fotógrafo Vinícius Carvalho para fazer a imagem abaixo. Ele também utilizou uma longa exposição (20 segundos) e disparos aleatórios de flash externo com baixa intensidade.

O bloqueio de foco é uma opção útil que lhe permite controlar a área de foco mais nítido em suas fotos, independentemente de onde na composição que a área está localizada. Você pode consultar o manual do proprietário para ver se sua câmera tem esta opção, ou você pode simplesmente centrar seu alvo no visor e pressione o botão de disparo até a metade. Isso irá travar o foco e a exposição. Agora, continue a manter o botão de disparo até a metade e recomponha a sua fotografia para que o seu alvo fique fora do centro. Tire a foto e verifique o resultado. Se sua câmera possui trava de foco, o alvo ainda será nítido, mesmo que você tenha movido a câmera.

Geralmente, o foco automático vai lhe dar resultados muito aceitáveis. É, principalmente útil com close-ups ou quando você quiser fazer impressões maiores de suas fotos em que o controle preciso do ponto de foco torna-se um problema. Pratique bastante e aprenda a utilizar este recurso a seu favor.
Algumas câmeras de autofoco passivo contam com uma lâmpada, que emite luz visível ou mesmo luz infravermelho para ajudar a focalizar a imagem. Apesar dessa emissão de energia, ainda são consideradas câmeras de autofoco passivo, porque as imagens continuam sendo analisadas no sensor de captação de imagem, com a comparação entre pixels vizinhos.
O autofoco passivo tem a vantagem de poder focalizar imagens a qualquer distância (o autofoco ativo só focaliza até onde seu sinal alcança), inclusive através de janelas, mas tem algumas limitações. A primeira, e mais óbvia, é a necessidade de muita luz para poder fazer o foco. Se for em um ambiente escuro e sua câmera não tiver a lanterna auxiliar de autofoco, a imagem só poderá ser ajustada manualmente. Além disso, o objeto que você quer focalizar não deve ter cores muito uniformes, ou a câmera não terá variação de cor para comparar.

Com o foco infinito garantimos que toda a composição fique nítida, a partir de uma distância mínima, indicada no manual do equipamento. Para configurar o foco neste modo, certifique-se que o indicador está posição exata.