quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Nikon J1

A Nikon tardou um pouco a entrar no mercado de câmeras mirrorless, no qual Sony, Samsung e Panasonic apostam pesado desde 2010. Mas a demora é justificada. A empresa gastou muitas horas de pesquisa e desenvolvimento de produto para chegar às duas primeiras câmeras da chamada série 1, a V1 e a J1, ambas com sensor CMOS de 10 megapixels. Dentre os dois modelos, a V1 tem perfil um pouco mais avançado, por contar com alguns recursos a mais, caso da sapata para flash externo e do visor eletrônico. Para o Brasil, o primeiro modelo trazido pela Nikon foi o J1.

A série 1 nasce a partir de um novo formato de sensor, chamado de CX, com 13,2 x 8,8 mm, o que gera um fator de corte de 2,7x (em relação ao 35 mm, FX na Nikon) e uma área de cerca de um terço de um sensor de formato DX, que equipa modelos mais populares de DSLR da marca, como D3100, D5100 e D7000. O novo formato de sensor da Nikon tem tamanho sensivelmente menor do que os sensores APS-C e Micro Quatro Terços, de modelos concorrentes de mirrorless.
Segundo a Nikon, tamanho não é documento no caso da série 1, pois graças ao desenvolvimento tecnológico incorporado ao sensor que equipa os modelos, o desempenho é equivalente. De fato, os bons resultados de nitidez relativa e sensibilidade ISO atingidos pela J1 atestam essa afirmação. No primeiro aspecto, ela ficou no mesmo nível da D3100 e, no segundo, um pouco abaixo.
O sensor menor, em compensação, permitiu a construção de um corpo compacto e de objetivas mais condizentes com o tamanho das câmeras da série, diversamente do que ocorre na série NEX, da Sony, que chega a ter objetivas maiores que o próprio corpo da câmera.
O maior trunfo da série 1 é de trazer as câmeras compactas da Nikon para um novo patamar de desempenho, amenizando o profundo abismo que existia entre a Coolpix P7100, top de linha dentre as compactas, e a D3100, câmera de entrada dentre as DSLRs. Segundo engenheiros da empresa, o processador Expeed 3, que equipa a J1 e a V1, tem desempenho superior ao da D3s, modelo profissional. O fato se prova na prática, pela alta taxa de atualização do monitor, a rapidez na captura e o impressivo sistema de foco automático, ativo inclusive durante registro de vídeos sem provocar ruídos no áudio.
Custando cerca de R$ 3,5 mil (preço de venda sugerido pela fabricante), a J1 chega ao mercado brasileiro com dois anos de garantia oficial da Nikon. No kit, ela vem acompanhada da objetiva 10-30 mm f/3.5-5.6 (equivalente a uma 27-81 mm em câmeras de formato 35 mm). A câmera mira usuários de compactas que querem dar um salto em busca de um equipamento mais resistente e mais ágil, porém de porte igualmente reduzido.

Na construção e no acabamento, a Nikon J1 tem padrão muito parecido ao das câmeras da linha NX, da Samsung, e NEX, da Sony. O modelo tem o corpo todo em plástico de alta resistência montado sobre chassi de liga de alumínio e magnésio. Um pequeno acabamento emborrachado na parte traseira do corpo serve de apoio ao dedão do fotógrafo.
Com um sensor de formato bem menor do que a NEX e a NX, a Nikon conseguiu construir um modelo no qual a objetiva e o corpo da câmera mantém uma proporção mais adequada.
Apesar de toda feita em plástico, a J1 parece resistente na mão. O corpo pesa apenas 234 gramas, chegando a pouco mais de 300 gramas com a objetiva 10-30 mm. Trata-se de um peso condizente com a proposta da Nikon para o modelo, que foi feito para ser carregado nas mais diversas ocasiões. O corpo tem um desenho harmônico, de linhas retas e cantos arredondados, porém com pouca ergonomia na pegada. O modelo será vendido em quatro opções de cor: branco, preto, vermelho e prata, o que prova a tendência da Nikon 1 ser mais próxima do público amador.
Os botões de disparo e de acionamento do vídeo, bem como a da trava da baioneta, são os únicos feitos em metal. O corpo da objetiva segue o mesmo padrão, sendo toda ela feita em plástico com anel emborrachado. A baioneta, no entanto, é feita em metal, o que confere maior durabilidade e segurança. O monitor de 3 polegadas (460 mil pontos) tem bom desempenho sob condições desfavoráveis de iluminação e apresenta alta taxa de atualização.

O flash embutido é um dos detalhes mais curiosos na J1. Ele salta para o alto por meio de uma peça que o posiciona a cerca de 2 cm acima da superfície da parte superior da câmera. Seu posicionamento permite o uso com o objetivas mais longas sem que as mesmas provoquem sombra sobre a luz do flash.
A tampa da bateria EN-EL20 (7,2v 1.020 mAh) e do cartão de memória é a mesma, posicionada na parte inferior do corpo. A vida útil da bateria é estimada em 230 disparos por recarga, o que é uma autonomia muito pequena para os padrões de fotografia amadora. Como a J1 não conta com visor direto ou eletrônico, a necessidade de usar o monitor para fotografar causa esse maior consumo de bateria.
As maiores diferenças da J1 para a V1 estão no aspecto físico. A V1 não tem flash embutido, mas conta com sapata para flash externo, recurso profissional que a J1 não oferece. A V1 também tem visor eletrônico (com cobertura de 100%), ausente na J1, e monitor com maior resolução (921 mil pontos). Seu corpo é mais resistente, montado sobre chassi de liga de magnésio, e o obturador eletrônico permite velocidade de sincronismo de flash de até 1/250s. Já na J1, o sincronismo de flash tem limite em 1/60s (obturador dela também é eletrônico)

Segundo a Nikon, a J1 foi desenhada tendo em vista um público familiarizado com câmeras compactas, sem tanto conhecimento técnico das regulagens em jogo na hora de fotografar. De fato, o modelo foi feito para funcionar bem automaticamente, mas, nesse processo, vários recursos acabaram “escondidos” nos menus gerais.
Existem botões para acesso direto apenas do modo de flash, da compensação de exposição, do temporizador e para trava de foco e exposição (AE-L/AF-L). Modos de exposição, disparo, medição e flash, qualidade e tamanho de imagem, balanço de branco e presets de captura estão todos reunidos em um mesmo menu que, por sua vez, pode ser alternado com o menu de configurações gerais da câmera e com o menu do modo de exibição de imagens.
Pelo fato de não contar com um menu de disparo que permita a regulagem da câmera sem abandonar a exibição da imagem ao vivo, a J1 parece ter dado um passo atrás, para a época em que as câmeras traziam as regulagens cruciais para o fotógrafo misturada a outras configurações de importância secundária. Trata-se, de fato, de um modelo feito para ser usado no modo automático.
Na parte superior do modelo, além do tradicional botão disparador, foi incluído um botão REC. Este só funciona quando a câmera está no modo de disparo apropriado para vídeos. Nos demais, ele fica travado, principalmente por conta de sua proximidade com o botão disparador principal, podendo facilmente ser pressionado sem querer. No modo de captura de vídeo, o botão REC serve para acionar e interromper a filmagem, enquanto o botão disparador principal é usado para ativar o sistema de foco automático, quando pressionado pela metade, e também para capturar fotografias.
Para que o modelo possa funcionar em conjunto com a objetiva 10-30 mm, é preciso destravar a lente, que fica retraída quando não está em uso. Ao destravar a objetiva, a câmera liga automaticamente, sem precisar pressionar o botão de acionamento.
A J1 tem três fases de funcionamento. Diante de um tempo determinado de inatividade, escolhido pelo usuário, ela entra em repouso (stand by), quando o monitor é desligado e a luz verde ao lado do botão de acionamento fica piscando. Nesse período, basta apertar meio botão disparador para voltar imediatamente à imagem ao vivo. Depois de mais um tempo sem comandos, ela desliga sozinha.
O modo de exibição de imagens é um recurso muito bem feito na J1. O zoom para ampliação é feito em oito passos. A câmera exibe quatro, nove ou 72 miniaturas, permitindo rápida navegação em meio um grande número de arquivos. A alavanca para zoom na imagem deixa o processo extremamente prático. A J1 também exibe as fotos capturadas por data, dispostas em um calendário com gráficos bem acabados.
Um disco giratório posicionado do lado direito do monitor garante a passagem rápida entre imagens. Quando se está fotografando no modo manual, na prioridade de abertura ou de velocidade, a alavanca de zoom e o disco giratório são usados para regular a exposição.
A forma de apagar imagens na J1 é um ponto positivo referente à interface com o usuário. Basta apertar duas vezes seguidas o botão da lixeira para deletar uma foto. O modelo conta ainda com recursos de selecionar diversas imagens para apagar ou para proteger, garantindo a rápida limpeza do cartão em campo.
A Nikon afirma que a nova geração de processadores desenvolvida especialmente para turbinar os câmeras da série 1, o Expeed 3, faz delas as mais “rápidas” dentre as atualmente disponíveis no mercado. Segundo a empresa, a V1 e a J1 atingem velocidade de 600 MB/segundo no processamento de arquivos, desempenho superior ao alcançado pela D3s, que é uma DSLR avançada.

Embora não tenha recursos de fusão de imagens sucessivas para criação de HDR, 3D ou panorâmicas, como oferecem os modelos da linha NEX, a Nikon J1 de fato impressiona pela rapidez na captura e no processamento. O modelo atinge 10 imagens por segundo (ims) de velocidade no disparo contínuo rápido, com foco automático ativo e limite de buffer para 38 fotos em JPEG e 19 em RAW. Já no modo super rápido ela chega a 60 ims, gerando um máximo de 13 fotos em JPEG e 12 em RAW.
A câmera volta rapidamente a ficar disponível para novas capturas depois de uma rajada de disparo contínuo. O modelo está livre do problema de shutter lag, como é chamado o irritante intervalo entre o momento do clique e o registro da imagem, limitação ainda presente em muitas compactas.
O foco automático foi um dos aspectos mais bem trabalhados na linha 1. A J1 e a V1 têm sistema de foco híbrido, baseado em detecção de fase e de contraste, sendo que ele usa 73 pontos ativos no primeiro modo e 135 no segundo. A alternância entre os dois tipos é feita de maneira automática. O foco automático, que funciona nos modos simples, contínuo o por acompanhamento de objeto selecionado na cena, é extremamente rápido e eficiente.
Os pontos de foco estão espalhados por uma área central expandida, que detecta áreas de interesse mesmo quando deslocados do centro do enquadramento. O sistema de foco também age por detecção de rostos, tornando mais efetiva a realização de retratos.
No modo de vídeo, a J1 faz capturas em full HD (1.920 x 1.080 pixels), com opções de 30 fps progressivos ou 60 fps intercalados. A câmera permite captura de fotos na máxima resolução sem interromper a captura de um vídeo. Um dos aspectos que mais chamam a atenção está no fato de o foco automático funcionar com grande precisão durante a filmagem. Basta que o usuário pressione o botão disparador pela metade para que a câmera encontre o foco rapidamente e sem produzir ruído algum no vídeo.
A Nikon J1 dispensou o clássico disco de seleção de modos de exposição baseado no padrão PASM (programa, prioridade de abertura, prioridade de velocidade e manual). Para acessar esses modos de exposição é preciso entrar no menu. Por outro lado, no disco de modos de operação, há dois novos ajustes, além das opções de captura de fotografia e vídeo.
No modo de disparo chamado “seletor de fotografia inteligente”, o modelo faz uma série de fotos em sequência, permitindo depois ao fotógrafo escolher entre as cinco melhores. O recurso serve tanto para ter mais de uma opção em fotos de temas em movimento como por tornar mais fácil a obtenção de uma foto em foco quando há pouca disponibilidade de luz.
Já o modo de disparo chamado “instantâneo em movimento” gera um pequeno vídeo em câmera lenta que é acompanhado de uma música genérica, com quatro opções disponíveis, todas elas de gosto duvidoso. O recurso, festejado pela Nikon, é mais um sinal de que o alvo do produto não são exatamente os fotógrafos profissionais, embora a J1 possa atendê-los com grande eficiência, dada sua rapidez e qualidade de imagem.
A câmera vem com poucas opções de tratamento de fotos após a captura, módulo que poderia ser sensivelmente melhorado. As ferramentas para recortar, redimensionar, editar vídeos, rodar imagens e classificar são básicas. Uma das vantagens é intervalômetro incorporado, útil por ajudar na criação de vídeos com a técnica de time lapse.
Ficha técnica
Sensor: CX CMOS, de 8,8 x 13,2 mm, com 10 MP
Monitor: 3 polegadas (460 mil pontos)
Visor: não tem
Cartão de memória:SD/SDHC/SDXC
Resolução máxima de imagem: 3.872 x 2.592 pixels (10 MP, 3:2)
Objetiva: baioneta Nikon 1
Gravação da imagem: JPEG, RAW (NEF) ou combinado JPEG/RAW
Vídeo: MOV, 1080p (30 fps), áudio estéreo AAC; câmera lenta 640 x 240 pixels (400 fps)
Balanço de branco: automático, incandescente, fluorescente, luz do sol, flash, nublado, sombra e manual
Velocidades: 30s a 1/16.000s
ISO: 100 a 3.200 (expansível para 6.400)
Perfis de cor: sRGB, Adobe RGB
Autofoco: híbrido (AF com detecção de fase/contraste), com 135 pontos
Modos de exposição: imagem estática (auto, prioridade de abertura ou velocidade, manual e programa), seletor de foto inteligente, vídeo, foto com movimento
Disparos contínuos: 10 imagens por segundo
Alimentação: bateria de lítio-íon de 7,2v, 1.020 mAh
Preço: R$ 3,5 mil (com objetiva 10-30mm)