quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Nikon D800

Até que o anúncio da chegada da Nikon D800 fosse feito, a “corrida dos pixels” parecia ter terminado. O aumento da resolução dos sensores havia deixado de ser prioridade para os fabricantes e as DSLRs pareciam ter “estacionado” entre 12 e 24 megapixels, tanto para modelos APS-C quanto para os de quadro cheio. Eis que a Nikon, cujos modelos costumam ter resolução menor que a dos concorrentes diretos da Canon, resolve virar o jogo e volta a apostar em um incremento significativo do número de pixels em sua full frame.

Justamente por conta da resolução, trata-se de um dos upgrades mais radicais já vistos na indústria de câmeras fotográficas. A antecessora, D700, que estava há um bom tempo no mercado, tem “apenas” 12 MP. A D800 vem com sensor de resolução três vezes maior: 36,3 MP.
A proposta da Nikon é de um modelo voltado para estúdio e fotógrafos de paisagem, que não dependem tanto da agilidade, mas prezam a qualidade de imagem. Quem migrar da D700 para a D800 certamente sentirá a diferença no tamanho dos arquivos gerados.

Trata-se do modelo de DSLR que mais se aproxima da resolução oferecida pelos backs digitais, com portabilidade e praticidade muito maiores do que as desse tipo de equipamento.
Por outro lado, a D800 não deixa a desejar com relação ao desempenho. No disparo contínuo, ela atinge 4 imagens por segundo (ims), algo bem abaixo das 11 ims que faz a D4, de16MP, outra full frame da Nikon lançada recentemente. Mesmo assim, serve muito bem a maioria das coberturas de fotojornalismo e de fotografia social.
Além do salto de resolução, a D800 incorporou a captura de vídeos, que sequer existia na D700, chegando para brigar com a grande vedete dos filmmakers, a Canon 5D Mark III. O modelo da Nikon tem as mesmas especificações de vídeo da concorrente direta e conta com duas ligeiras vantagens: a saída limpa através da conexão HDMI e a opção de filmagem em full HD no formato DX (fator de corte de 1,5x), usando uma área reduzida do sensor.
A D800 trouxe ainda outros avanços, como o novo monitor de 3,2 polegadas, visor com indicação de horizonte virtual, entradas para dois cartões de memória e melhorias na interface com o usuário. O sistema de foco automático ficou ainda mais eficiente. Ele permaneceu com os 51 pontos ativos, mas ganhou maior sensibilidade em situações de pouca luz.
A nova câmera da Nikon também está mais apta a leituras precisas de fotometria e de balanço de branco automático, pois ganhou um sensor para detecção de cena com 91 mil pixels, enquanto a D700 contava com sensor de apenas mil pixels.
Após o anúncio da fabricante de que a D800 viria com 36,3 MP, o segmento ficou apreensivo. Era de se esperar que o desempenho da câmera em relação à nitidez relativa não fosse tão bom, exatamente por conta de um “excesso” de pixels. Mas não foi o que ocorreu.
Nos testes realizados por Fotografe, a D800, em conjunto com a objetiva zoom 24-70 mm f/2.8, obteve níveis de nitidez relativa considerados muito bons, alcançando 77% do máximo teórico.
Com relação ao alcance dinâmico, seu desempenho também é surpreendente, atingindo 13 EV. As duas medições foram feitas com imagens registradas em RAW, em estúdio com iluminação controlada e disparos feitos com a câmera no tripé, regulada para ajustes neutros de imagem.
Por conta dos avanços da nova câmera, a Nikon parece ter “acordado”, colocando um produto extremamente competitivo no mercado, que deve tirar o sossego da Canon, principalmente pelo preço de tudo isso. No Brasil, o preço oficial da D800 é de R$ 17 mil, só o corpo (no mercado paralelo ela é encontrada por cerca de R$ 8,2 mil e é vendida nos EUA por US$ 3 mil).
A D800 tem basicamente a mesma estrutura da D700 e pesa 900 gramas, sem bateria. Embora seja um pouco menor e mais leve que o modelo D4, a D800 é robusta o suficiente para servir a fotógrafos profissionais em atividades que exigem muito do equipamento. Montado sobre chassi de liga de magnésio, o corpo é vedado contra chuva e poeira e oferece empunhadura ampla com proteção emborrachada.
O modelo ganhou conexão USB 3.0, entrada para microfone e saída para fone de ouvido na lateral esquerda. As entradas para cabos disparador e de sincronismo continuam no canto superior esquerdo da parte dianteira da câmera.
Um dos principais avanços está nas duas entradas para cartão de memória, nos padrões CF e SD. O usuário pode escolher entre o uso sequencial ou alternado dos cartões, dependendo da necessidade. A bateria EN-EL15 (7V, 1.900 mAh) é a mesma usada pela D700 e pela mirrorless V1. Tem duração estimada em 900 disparos ou 60 minutos em modo de imagem ao vivo por carga. A D800 ganhou trava para a bateria, algo que fazia falta na D700.
A nova câmera da Nikon vem com visor de pentaprisma amplo, com cobertura de 100% e magnificação de 0,7x. O monitor fixo é ligeiramente maior que o da antecessora, com 3,2 polegadas e a mesma resolução de 921mil pontos. Segundo a Nikon, o monitor teve seu espaço de cor ampliado e ganhou um sistema de detecção do ambiente para ajuste automático. O modelo conta ainda com visor LCD na parte superior direita.
Ela conta ainda com flash embutido (número-guia 13), que pode ser usado para acionamento remoto de flashes dedicados da marca, via luz infravermelha.

A D800 ganhou alguns incrementos na interface com o usuário. O acesso ao modo de imagem ao vivo está facilitado, sendo feito por meio de um botão situado ao lado do monitor. O botão está montado com uma chave que permite alternar com rapidez entre captura de vídeo e foto.
A filmagem é acionada e encerrada por um botão REC colocado na parte superior, próximo ao disparador. É necessário, no entanto, que o sistema de imagem ao vivo esteja ativo, e o modo vídeo, ativado, pois o botão não funciona no modo de fotografia.
A nova full frame da Nikon conta com o mesmo prático disco na parte superior esquerda que já existia na D700. A peça serve para selecionar o modo de disparo e vem com botões montados na parte superior. Além do acesso direto a formato, qualidade e tamanho das imagens, balanço de branco e sensibilidade ISO, foi incorporado botão para ativar a captura com bracketing.
Os modos de exposição são acessados por meio do botão MODE, situado próximo ao disparador. Como produto voltado a um público profissional, o modelo conta apenas com os modos de exposição essenciais: P (programa), A (prioridade de abertura), S (prioridade de velocidade) e M (manual). Nessa área, a Nikon poderia ter desenvolvido um modo automático que envolvesse também o ajuste da sensibilidade ISO.
Existem ainda botões para acesso direto da compensação de exposição e do flash e outros dois botões na parte frontal, ao lado da objetiva, cuja função é escolhida pelo usuário, servindo normalmente para previsão de profundidade de campo e para acionamento do horizonte virtual.
A D800 “herdou” da D700 a mesma peça para a seleção do modo de foco, que consiste em uma chave para alternar entre foco automático e manual com um botão no centro que permite escolher o tipo de autofoco desejado.
Na interface, faz falta um menu de disparo. Ao pressionar o botão INFO, no lado direito do monitor, são exibidas todas as informações de disparo, porém elas não podem ser alteradas.

O modo de exibição de imagens é simplificado. A passagem entre as fotos é feita por meio dos botões com setas direcionais posicionadas na peça circular ao lado do monitor. Seria mais prático se a Nikon tivesse dedicado os discos
de seleção de abertura e velocidade para navegar entre as imagens. O zoom é realizado por meio dos botões de lupa. A aproximação é feita em 11 passos. No modo miniatura, são exibidas quatro, nove ou 72 imagens. Há um botão usado apenas para proteger imagens.
Foi nos recursos que a D800 mais avançou. O sistema de foco automático baseado em 51 pontos tem maior sensibilidade, conseguindo fazer a leitura rápida de cenas com pouca luz. O foco contínuo tem grande eficiência. As medições de exposição e balanço de branco foram sensivelmente incrementadas com o novo sensor de 91 mil pixels.
O upgrade mais significativo é na captura de vídeos. A D800 filma em full HD (24,25 e 30 fps) e HD (24,25, 30, 50 e 60 fps) progressivo, com codec H.264. A câmera da Nikon vem com saída de vídeo e áudio “limpas” via conexão HDMI, o que significa que o usuário pode conectar a câmera a um aparelho externo que grave com menor compressão, algo decisivo para quem busca qualidade de filmagem.
A D800 oferece um modo de imagem ao vivo que deixa a desejar. O sistema de foco automático nesse modo é lento e vacilante, contando com apenas um ponto ampliado. Durante a filmagem, o usuário pode recorrer ao foco automático ao pressionar o botão disparador pela metade, porém o recurso mais atrapalha do que ajuda, por conta da lentidão e da imprecisão.

Ao acionar a imagem ao vivo, um pequeno mas considerável intervalo de tempo é necessário para que o monitor exiba a cena. O mesmo ocorre depois do clique. A D800 apresentou ainda um discreto shutter lag, como é chamado o “atraso” entre o instante do clique e do registro.
Diante das limitações ao se fotografar usando o monitor, o modo de imagem ao vivo acaba servindo principalmente para captura de vídeo. A D800 oferece algumas praticidades para os filmmakers, como ampliação em cinco passos da área central do enquadramento, para focagem manual precisa, histograma e indicação de nível de sons capturados pelo microfone.
O modelo traz seis modos de disparo: “S”, para foto única; “Cl” e “Ch”, para disparo contínuo lento e rápido; temporizador; “Mup”, para evitar trepidação causada pelo levantamento do espelho; e “Q”, modo silencioso que quase não faz diferença. Aliás, com relação à discrição no disparo, a D800 evoluiu pouca coisa: continua “barulhenta” como a antecessora D700.
O disparo contínuo não é o forte da D800, mas é suficiente para a maioria dos casos. A câmera faz disparos de até 4 imagens por segundo, com limitação de 16 imagens consecutivas em RAW e 36 em JPEG.
Como os arquivos gerados são grandes, é necessário um longo tempo de processamento após um disparo contínuo: cerca de 40 segundos para fotos em RAW e 18 segundos para JPEG.
A D800 vem com grande variedade de estilos de captura, permitindo alterar os níveis de nitidez, contraste, luminosidade, saturação e matiz. Na captura monocromática, ela oferece uso de tonalidades de cor e de filtros coloridos. As alterações valem também para vídeo.

O menu de retoque tem opções como recorte, endireitamento, correção de olhos vermelhos, filtros, equilíbrio de cores, correção de perspectiva e distorção e efeito miniatura. Há ainda um módulo para processamento RAW. A D800 oferece recursos de captura em HDR e módulo para criação de vídeos com a técnica de time lapse.
Ficha Técnica
Sensor: CMOS full frame (36 x 24 mm) de 36,3 MP
Monitor: LCD de 3,2”, com 921 mil pontos
Visor: pentaprisma com 100% de cobertura (em modo FX)
Cartão de memória: slots para cartões SDXC e Compact Flash
Resolução máxima de imagem:
7.360 x 4.912 pixels
Objetiva: encaixe Nikon F
Gravação da imagem: JPEG, RAW (NEF), TIFF e combinado RAW JPEG
Vídeo: full HD (30, 25 e 24 fps), áudio mono
Balanço de branco: auto, incandescente, fluorescente, luz do sol, flash, nublado, sombra, temperatura em Kelvin e manual
Velocidades: 1/8000s a 30s
ISO: 100 a 6.400, expansível para 50 e até 25.600
Perfis de cor: sRGB, Adobe RGB
Autofoco: 51 pontos
Modos de exposição: manual, programa, prioridade de abertura e de velocidade
Disparos contínuos: 4 ims
Alimentação: bateria EN-EL15 (7V, 1.900 mAh)
Preço: R$ 17 mil