quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Nikon D4

A Nikon investiu na renovação de sua linha de DSLRs full frame com o lançamento quase que simultâneo da D800 e da D4. Se a D800 surpreendeu com uma resolução de 36 megapixels, a D4 foi mais sensata. Ela traz um sensor de resolução comportada: 16,2 MP. Mas a quantidade de pixels é mais que suficiente para muitos usos, como o fotojornalismo. As fotos que ilustram o teste, por exemplo, foram feitas por Ari Ferreira, do jornal Lance!, durante o jogo em que o Corinthians conquistou sua primeira Copa Libertadores da América ao vencer o Boca Juniors, da Argentina, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP).

Ari, que usa câmeras da Canon, foi convidado a testar a D4 para o registro esportivo, e aprovou o novo modelo.
A diferença na quantidade de pixels entre a D800 e a D4 indica a diferença de públicos visados pela Nikon. A D800 é voltada para profissionais que prezam a resolução, caso de fotógrafos de estúdio, moda, publicidade e natureza. Já a D4 é para quem precisa de agilidade, resistência a impactos e ampla autonomia de uso, caso de fotojornalistas e de quem faz cobertura de eventos sociais.
As mudanças trazidas pelo modelo top de linha da Nikon não são poucas. A D4 foi chamada pela Nikon de câmera multimídia, pois incorpora de vez a função de filmagem, ao oferecer captura de vídeos em full HD (1080p em até 30 fps) e HD (720p em até 60 fps), usando três formatos distintos: FX (área total do sensor), DX (fator de corte de 1,5 x) e CX (fator de corte de 2,7 x).
Além disso, a nova full frame traz saída HDMI limpa e sem compressão, possibilidade de monitoração de áudio por fone de ouvido e programa para criação de vídeos em time lapse, recursos interessantes para os filmmakers.
A nova D4 também trouxe avanços importantes do ponto de vista da fotografia. É a primeira DSLR do mercado a contar com slot para cartão de memória no padrão XQD. Em relação à D3s, ela teve o sistema de foco automático melhorado para situações de pouca luz, ganhou sensor de maior desempenho para fotometria e balanço de branco, conta com range de sensibilidades ampliado, indo de ISO 100 a 12.800 (expansível até 50 e 204.800), e está com velocidade máxima de disparo contínuo ampliada para 11 imagens por segundo.
A D4 evoluiu também no aspecto ergonômico e na interface com o usuário. Ganhou grip melhor para fotos na vertical, joysticks direcionais para posicionamento do ponto de foco, além de práticas chaves para seleção de modo de imagem ao vivo e de foco. Um dos principais destaques fica por conta dos botões e displays LCD iluminados, que permitem total conforto para regulagem no escuro.

No Brasil, a Nikon D4 tem preço oficial de R$ 34 mil, apenas o corpo (pode ser encontrada no mercado paralelo por R$ 16 mil e é vendida nos EUA por US$ 6 mil). Aos interessados, compensa ponderar se os recursos dessa robusta DSLR são realmente necessários, pois a D800 pode dar conta do recado na maioria dos casos, com resolução e alcance dinâmico maior e preço pela metade.
A Nikon melhorou um pouco a “pegada” de sua profissional, que agora tem disparador em uma inclinação mais confortável e ganhou uma pequena área emborrachada na parte traseira para os disparos na vertical. A D4 conta com grip vertical incorporado, onde vai encaixada a nova bateria EN-EL18 (10,8V, 2.000 mAh), com autonomia para até 2.600 disparos.
Segundo a Nikon, o monitor é um dos aspectos que mais avançaram na D4. Ele está um pouco mais largo, com 3,2 polegadas e proporção de 3:2. A resolução permanece a mesma (921 mil pontos), mas a empresa argumenta que a profundidade de cor foi bastante expandida.
Além disso, o monitor ganhou a capacidade de regular automaticamente os níveis de brilho, saturação, contraste e gama às condições externas. Outra novidade foi a inserção de uma camada de gel entre a superfície do monitor e o vidro, para evitar embaçamento frente a mudanças bruscas de temperatura. O visor de pentaprisma permanece com cobertura de 100% e magnificação de 0,7 x.

A D4 é a primeira DSLR a trazer slot para cartão de memória XQD, novo padrão que alia a robustez do Compact Flash com o tamanho reduzido do SD e atinge velocidades maiores que ambos. A câmera é vendida com cartão XQD de 16 GB e leitor, fabricados pela Sony. Também conta com entrada para Compact Flash, estando apta a trabalhar com dois cartões de maneira consecutiva ou simultânea.A D4 oferece dois displays LCD retroiluminados.
A Nikon retirou a entrada para alimentação de energia – para usar a câmera ligada na tomada precisa-se do acessório EP-6, que vai no lugar da bateria. Em compensação, a D4 ganhou em conectividade, contando com porta Ethernet e uma conexão para ligar o acessório WT-5, para transmissão de dados sem fio.
A D4 também sofreu algumas mudanças do ponto de vista da interface com o usuário, que vieram para dar maior praticidade ao uso. O botão para acesso ao modo de imagem ao vivo continua na parte traseira, abaixo do monitor, porém agora ganhou uma alavanca para alternar entre os modos de foto e vídeo. Um detalhe negativo é que a imagem ao vivo é desligada ao mover a alavanca.

A câmera ganhou botão REC próximo do disparador, para facilitar o acionamento e a interrupção da filmagem. O recurso só funciona quando a câmera está no modo vídeo e com a imagem ao vivo ligada. A D4 ganhou ainda dois joysticks na já “congestionada” parte traseira. Eles são usados para posicionar com rapidez o ponto de foco quando se aciona o modo de imagem ao vivo para fotografar ou filmar. Na parte de traz, também há botões dedicados para seleção de balanço de branco, sensibilidade ISO e resolução/formato de captura. O pequeno LCD abaixo do monitor serve especialmente para exibir os dados alterados por esses botões.
Na parte superior do corpo, foram incluídos botões para acesso direto às opções bracketing, modo de flash, compensação de exposição e modo de exposição. O disco de modos de disparo permanece no canto esquerdo da câmera.
A D4 conta com duas travas de foco, dois disparadores e quatro discos para regulagem de abertura e velocidade, que servem para dar total controle ao usuário quando ele está fotografando, na posição vertical ou horizontal.
Os modos de exposição disponíveis se reduzem ao essencial: P (programa), A (prioridade de abertura), S (prioridade de velocidade) e M (manual). Ela conta ainda com a opção de seleção automática de sensibilidade, segundo as condições de luz da cena.
Um detalhe interessante na interface é que a D4 é uma câmera preparada para uso também em locais escuros. Ao ser ligada, por meio da alavanca de acionamento montada em conjunto com o disparador, não apenas os dois displays LCD ficam iluminados, como também a maior parte dos botões.
A Nikon D4 tem recursos de sobra, sendo uma DSLR extremamente rápida e confiável, que segue a tradição das top de linha da marca. Ela teve sistema de foco aprimorado, permanecendo com os 51 pontos de detecção, porém agora com maior precisão em situações de pouca luz e ao ser usado em conjunto com objetivas pouco luminosas.
O sensor de medição da D4 conta agora com 91 mil pixels, enquanto o da D3s contava com mil, o que resulta em fotometria mais precisa e num melhor desempenho da regulagem automática de balanço de branco.
No disparo contínuo, a full frame está ainda mais rápida, alcançando velocidade máxima de 10 imagens por segundo (ims) com foco e exposição ativos e de 11 ims com os dois recursos travados, limitadas apenas pelo espaço disponível no cartão de memória. Com a resolução limitada em 2,5 MP, a D4 chega a fazer 24 ims.
O modo de imagem ao vivo do modelo é sem dúvida o mais rápido dentre as câmeras fabricadas pela Nikon. Ainda existe um pequeno intervalo entre o momento do clique e o instante registrado quando se fotografa usando o monitor. Já o foco automático no modo de imagem ao vivo, baseado em apenas um ponto, é bom, mas padece de limitações que ainda inviabilizam seu uso durante a captura de vídeos.

A Nikon investiu pesado no modo de vídeo da D4, ao ponto de chamá-la de câmera “multimídia” na ocasião de seu lançamento. A full frame faz capturas em1080p(24,25e30fps)eem720p (25, 50 e 60 fps) com três formatos distintos: usando toda a área do sensor (FX), ou parte dela, no caso dos formatos DX (fator de corte de 1,5 x) e CX (fator de corte de 2,7 x). Além disso, ela oferece saída HDMI limpa (imagem sem informações sobrepostas) e conta com a possibilidade de alteração da abertura durante a captura de um filme.
Ficha técnica
Sensor: CMOS full frame (36 x 23,9 mm) de 16,2 MP
Monitores: LCD de 3,2”, com 921 mil pontos
Visor: pentaprisma com 100% de cober tura
Cartão de memória: slot para cartões XQD e Compact Flash
Resolução máxima de imagem: 4.928 x 3.280 pixels
Objetiva: encaixe Nikon F
Gravação da imagem: JPEG, RAW (NEF), TIF e combinado RAW JPEG
Vídeo: full HD (30, 25 e 24 fps) MOV/H.264, áudio mono PCM
Balanço de branco: auto (2 tipos), incandescente, fluorescente (7 tipos), luz do sol, flash, nublado, sombra, temperatura em Kelvin e manual (4 tipos)
Velocidades: 1/8000s a 30s
ISO: 100 a 12.800, expansível para 50 até 204.800
Perfis de cor: sRGB, Adobe RGB
Autofoco: 51 pontos
Modos de exposição: manual, programa, prioridade de abertura e de velocidade
Disparos contínuos: 11 imagens por segundo
Alimentação: bateria EN-EL18 (10,8 v, 2.000 mAh)
Onde encontrar: lojas especializadas
Preço: R$ 34 mil (oficial, só corpo)