quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Fotografia arquitetônica

Conheça os desafios enfrentados pelos fotógrafos profissionais de arquitetura.
“A fotografia continua a ser o melhor modo de representar a arquitetura artisticamente”
Vivemos em casa, compramos lojas, estudamos em universidades, trabalhamos em escritórios e comemos em restaurantes. Nossa vida é influenciada pela arquitetura, todos os dias, sem que nem percebamos. Portanto não é de espantar que nossa fascinação pelos ambientes construídos se traduza na enorme popularidade do gênero da fotografia arquitetônica. A fotografia comercial de arquitetura já existia desde a década de 1860, mas foi apenas nos anos 1930 que a fotografia se tornou o meio principal para retratar edifícios. As grandes publicações passaram a ser capazes de imprimir fotos, ilustrações e textos lado a lado pela primeira vez; os arquitetos viram que as fotos seriam o principal modo de divulgar seu trabalho. Em nossa era de visualizações 3D  virtuais ultrarrealistas e gráficos imersivos, a fotografia continua a ser o melhor modo de representar a arquitetura de maneira artística.
A fotografia arquitetônica desenvolveu-se com o tempo. Nos primeiros dias, as imagens mostravam espaços limpos e claros, sem objetos e pessoas. Os espaços dentro do edifício e o próprio edifício eram o foco principal da imagem, talvez com umas poucas peças selecionadas de mobiliário.

Fotografar prédios, casas e interiores não é uma tarefa difícil, porém requer um olhar mais apurado para que seja possível identificar o que vale a pena ser visto. Comece a observar o ambiente ao seu redor com mais cuidado e, acompanhado de uma câmera, registre novos pontos de vista.

Imagine que você precisa enviar uma imagem para um amigo seu mostrando uma construção qualquer. O objetivo é que ele veja a imagem e saiba exatamente do que se trata, e entenda o que está sendo mostrado. Isso é a fotografia informativa. Ela abre menos portas para o fotógrafo abusar da criatividade, mas isso não quer dizer que precisa ser algo sem graça.
Ao contrário da fotografia informativa, que possui o propósito claro de mostrar a outra pessoa um local como ele realmente é, quando você fotografa simplesmente pela arte, nada é proibido e a sua criatividade pode ser a chave para melhores imagens.

Além disso, conhecer o assunto ajuda o fotógrafo a escolher melhores enquadramentos que enriqueçam o que está sendo mostrado. Para conhecer arquitetura, não é preciso se aprofundar em textos teóricos e longos, basta, na maior parte dos casos, sair e observar.
Um fotógrafo é, em essência, um observador de tudo. Olhe mais para cima quando sair pela sua cidade, você vai ver muitos detalhes que passam despercebidos normalmente, como cúpulas de igrejas, enfeites em prédios antigos, escadas de emergência.

Comece pelo lado de fora para estabelecer o contexto; faça imagens de detalhes, e por fim as internas.
Os principais elementos que devem ser levados em conta no enquadramento são: linhas retas, curvas, objetos diferenciados (enfeites, objetos de época, decorações, detalhes em geral etc...), texturas e cores contrastantes, simetrias, luz e os elementos arquitetônicos usuais, como janelas, portas, arcos, escadas e outros. Combine e misture esses elementos, criando uma fotografia rica.

Agora que você já sabeo que procurar, é mais fácil pensar em como enquadrar isso para que a fotografia se torne interessante. A regra dos terços é uma possibilidade, porém ela não serve para trabalhar com simetria, por exemplo, já que nesses casos o prédio ou casa precisa estar posicionado bem no meio da fotografia.
Objetivas grande-angulares são essenciais para a maioria dos ambientes fechados e estão intimamente associadas à fotografia arquitetônica. Como os edifícios são em geral grandes e cercados por outros edifícios, costumam ser fotografados a curta distância, e a objetiva grande-angular consegue enquadrar toda a estrutura. Como é comum, às vezes é preciso reclinar-se para trás para pegar o topo dos prédios e o resultado disso é um problema de perspectiva, mas que não é insuperável: as linhas que deveriam ser verticais parecem inclinar-se em direção umas das outras.

Felizmente, muitos dos edifícios mais fotogênicos são projetados para ser vistos à distância. Castelos, igrejas, templos e palácios não apenas são construídos em grande escala, como geralmente pontificam estrategicamente na paisagem, dominando tudo à sua volta e uma boa alternativa para minimizar o problema das linhas verticais convergentes é posicionar-se num ponto elevado qualquer, como, por exemplo, a sacada de um hotel.
Procure por elementos estruturais que definam o caráter da construção.
Neste caso, é interessante ter em mente que usar uma objetiva mais longa para encher o quadro oferece a vantagem de não precisar virar a câmera para cima. Enquanto teleobjetivas com distância focal de até 300mm (formato 35mm) podem ser usadas para fotografar edifícios a distância, muitas objetivas permitem melhores resultados em ambientes fechados, como as ultragrande-angulares e as olhos-de-peixe.

Um dos principais fatores ao fotografar um interior é a forma de iluminar a cena.
Uma dica importante, para quem possui tanto uma câmera maior quanto uma compacta, é sair sempre que possível com a compacta na bolsa, ao ir para o trabalho, para a aula ou mesmo sair para passear.
Já que é difícil estar sempre com uma câmera profissional à mão, pelo menos se algo chamar a atenção você pode registrar, e quem sabe voltar depois com outro equipamento. Muitos celulares com câmera hoje em dia conseguem tirar imagens com alta resolução, e podem ser suficientes para uma emergência.
Utilize a profundidade de campo para criar imagens com várias camadas, ou imagens “chapadas”, causando diferentes sensações. A verdade é que o fotógrafo precisa conferir ao elemento arquitetônico uma personalidade, um sentimento, seja ele força, fraqueza, alegria, medo, drama ou outros.
Por exemplo, a luz atravessando a janela e iluminando um quarto bem arrumado traz um sentimento de conforto para a foto, já a mesma luz atravessando a janela e iluminando um cômodo sem nenhum móvel ou objeto, traz um sentimento de solidão, de vazio. Saiba aproveitar essas sensações usando-as a seu favor.