quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Aprenda a escolher a melhor objetiva

Objetiva: acerte na escolha
Saiba qual equipamento usar quando queremos aproximar ou distanciar o objeto a ser fotografado
Imagine a seguinte situação: você quer fotografar o quarto novo que acabou de montar para o seu bebê, mas há pouco espaço para se posicionar. Como resolver esse problema? “Com uma objetiva grande-angular é possível fotografar em ambientes apertados, pois ela amplia o ângulo de visão sem que o fotografo precise se afastar muito do assunto”, explica Erivam Morais de Oliveira, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e coautor do livro “Fotojornalismo – uma viagem entre o analógico e o digital” publicado pela editora Cengage Learning. Uma câmera compacta, no entanto, não permite trocas de objetivas. Esse recurso só é possível com as semi ou profissionais.
Embora seja muito utilizada, a palavra “lente” na fotografia não é o termo técnico mais adequado. Erivam explica que lente se refere a um vidro polido, com características especificas, capazes de transmitir os raios de luz que formam imagens em determinadas condições. “As lentes podem ser convexas, que refratam a luz para dentro e criam uma imagem invertida, ou côncavas, que fazem justamente o oposto. Já as objetivas representam um conjunto de lentes compostas, que formam o acessório utilizado para fotografar. No dia a dia, porém, acaba-se usando o termo lente também”, explica Erivam.
Normal
Geralmente é a que acompanha a maquina. Respeita o ângulo de visão e a perspectiva. Para as câmeras dSLR mais comuns, lentes normais são aquelas com distância focal próxima ou igual a 50 mm. Quando construídas como lentes fixas, essas objetivas tendem a ser mais baratas, e apresentam aberturas máximas entre f/2 e f/1.4.
As objetivas normais podem ser usadas para qualquer tipo de fotografia, já que a imagem que formam é muito próxima daquela que o olho humano enxerga. Por serem normalmente mais luminosas do que lentes de outras distâncias focais, também são muito utilizadas para fotografar em condições críticas de iluminação.
Teleobjetiva
Se você quer aproximar o assunto a ser fotografado, use uma teleobjetiva de 70 ou 80 mm. Ela apresentam distâncias focais maiores que 50 mm, e é usado para fotografar em detalhes objetos distantes do fotógrafo. O ângulo de visão de uma tele é menor do que o do olho humano, e quanto mais longa for a lente, maior essa diferença.

Meia-telobjetiva
Alguns ainda subdividem as teleobjetivas em meias-tele – com distância focal até 200 mm, teleobjetivas – variando de 200 a 400 mm, e superteles – com 400 mm ou mais. Vale lembrar que quanto mais longa a lente, mais cara ela será.
Essa divisão interna das tele existe devido ao uso de cada lente. As objetivas até 200 mm são muito utilizadas para retratos e para jornalismo, devido à sua versatilidade. Entre 200 e 400 mm encontram-se as objetivas preferidas pelos fotógrafos de esporte e de natureza, e as superteles são utilizadas para esportes, para coberturas muito distantes e até mesmo para fotografia astronômica.
Grande-angular
Para obter o resultado inverso da teleobjetiva, ou seja, para ampliar o ângulo de visão, mas afastar o assunto que está próximo. As objetivas grande-angulares têm distância focal menor do que 50 mm, mas quanto mais curta for essa distância, mais perceptíveis serão suas características.
Além de abrir o ângulo de visão – em alguns casos para até 180º ou mais – essas lentes também distorcem objetos próximos devido à curvatura do vidro, fazendo com que linhas retas pareçam curvadas – efeito chamado de aberração esférica. Algumas dessas objetivas são conhecidas como “olho-de-peixe”, tamanha a distorção que apresentam.
As grande-angulares são muito utilizadas em fotografia de arquitetura, para retratar ambientes muito pequenos, e também costumam ter bons resultados quando se fotografa paisagens.

Olho de peixe
Fotografia a 180 graus. Abre tanto o ângulo de visão que inclina as coisas, distorcendo os objetos.

Macro
Dificilmente será usada por amadores, pois trata-se de uma lente direcionada para fotos especializadas para assuntos médicos ou científicos. “É ideal para fotografar com detalhes o inseto da boca ou o coração”, exemplifica Erivam. No entanto, pode ser usada também para fotos de insetos ou objetos muito pequenos.

Zoom
A objetiva se desloca para trás ou para frente, assim é possível alterar a distancia focal, variando o campo abrangido pela imagem. De certa forma, uma lente zoom pode ser comparada a várias lentes fixas. Como exemplo, se temos uma lente zoom 18-55 mm (perceba a notação em milímetros e o intervalo do zoom) ela pode ser considerada uma lente 18 mm e uma lente 55 mm, além de todas as variações do intervalo. Só que a praticidade de uma lente dessas tem seu contraponto. A construção de uma lente dessas é mais complicada do que a de uma lente fixa, encarecendo a objetiva. Além disso, um outro fator muito importante de cada objetiva – a abertura máxima – tende a ser pior em lentes zoom.

Primeira compra
As objetivas são uma das duas partes mais importantes do seu equipamento. Provavelmente, sua câmera já tem uma lente zoom com intervalo de grande-angular a normal (a mais comum é a 18-55 mm) e com uma abertura média (entre f/3.5 e f/5.6) que resolve boa parte das necessidades comuns da fotografia amadora. Já para conseguir aquele “algo mais”, é preciso pensar no equipamento com mais cuidado.

A primeira decisão a ser tomada é o tipo de construção de lente a ser comprado. Se você pretende fotografar em estúdio, ou em casa mesmo, em situações que você não terá pressa para fotografar, recomenda-se comprar lentes fixas, e apenas aquelas que seriam imprescindíveis. Uma grande angular na faixa dos 10 ou 15 mm, uma normal de 50 mm e uma meia-tele curta, de 85 ou 90 mm já são suficientes para fotografar praticamente qualquer coisa em estúdio.Foto por Luciano de Sampaio.
Para fotografar fora de um estúdio, entretanto, o raciocínio já não é tão simples. Se você pretende fotografar apenas temas determinados como paisagens, ou então só deseja fotografar pessoas, é bem provável que uma ou duas lentes fixas - claras e da distância focal apropriada - sejam suficientes. Uma grande angular de 25 ou 30 mm e uma normal de 50 mm formam um conjunto bastante confiável para fotografar paisagens, enquanto uma normal e uma meia-tele de 85 ou 90 mm formam um par excelente para se fazer retratos. Conjuntos apropriados podem ser pensados para cada estilo de fotografia que possa existir.
Agora, se você gosta de fotografar tudo o que aparece na sua frente, a situação muda bastante. Fotografar paisagem com uma objetiva de 200 mm é no mínimo desconfortável, e fazer retrato com uma grande angular é complicado por causa da aberração esférica que vai distorcer o rosto da pessoa.
Erivam explica que o número que acompanha a objetiva (por exemplo: 1.4, 2.8) se refere à abertura do diafragma. “quanto maior o número, mais luminosa é a objetiva, mais cara e maior é a possibilidade de fotografar em ambientes com pouca luz. A variação está no diafragma, sensibilidade e velocidade. As três variáveis se cruzam. Objetivas 300 2.8, que fotografam futebol, por exemplo, custam em média 3500 dólares”, afirma.