segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A natureza da luz artificial

Há 200 anos, o mundo era iluminado apenas pelo fogo e pelo Sol. Uma chama era a única luz artificial que permitia que as pessoas estendessem suas horas de atividade até depois do pôr do sol. A lâmpada incandescente e seus sucessores mudaram tudo. Desde a virada do século 20, a produção de luz feita pelo homem – do pó do flash dos primeiros retratistas aos sets cinematográficos de Hollywood – tornou-se uma ciência e uma arte à parte, porém complementar à fotografia. Hoje em dia, fazemos fotografias em todo tipo de luz, desde os holofotes de estúdio até a infravermelha e a florescente.
Luz de muitos matizes
A baixa sensibilidade dos primeiros filmes e a baixa velocidade dos obturadores fazia com que a maioria das fotos precisasse de luz artificial ou que os retratados permanecessem absolutamente parados por 30 segundos ou 1 minuto. Gerações de speedlights e flash auxiliares, que podem iluminar um espaço de diferentes direções, foram desenvolvidas para levar luz artificial até a abertura. Quando a fotografia estava limitada ao preto e branco, a cor da luz não importava, mas logo diversos filtros e difusores coloridos foram desenvolvidos para destacar certas características das cenas. Em luz fluorescente, um filtro de lente pode transformar a exposição em aceitáveis tons da luz do dia. Na luz de tungstênio das lâmpadas das salas de estar, um filtro azul diminui o tom âmbar e reproduz a sala em graus mais conhecidos da escala Kelvin (o olho humano, claro, compensou a cor do tungstênio e não percebeu que a luz estava  estranhamente amarela).
O equilíbrio de cores, e a autenticidade eram o objetivo da iluminação de estúdio, uma arte à qual os técnicos dedicavam horas de trabalho para preparar a cena para o fotógrafo de still tirar a foto. A luz ambiente artificial em lugares como estádios fechados e linhas de iluminação de neon ao longo das estradas suburbanas forçaram os fotógrafos a adotar estratégias diferentes para fotografar.

As luzes da rua e do flash se combinam para criar um carrossel de cores e movimento durante o carnaval brasileiro. David Alan Harvey Salvador, Bahia, Brasil
A maldição dos olhos vermelhos
Os fotógrafos ocasionais tendem a usar o flash embutido de maneira indiscriminada. Fácil de disparar, mas difícil de dominar, muitas vezes ele causa “olhos vermelhos”, que faz os amigos parecerem zumbis. Isso acontece quando o flash está muito perto e é rápido demais para que a pupila do retratado se feche. A luz entra no fundo dos olhos, que estão cheios de vasos vermelhos, e rebate, avermelhada, através da lupa até a câmera.
Muitas câmeras modernas têm corretores de olhos vermelhos, mas isso também pode ser resolvido rebatendo o flash no teto ou na parede, perdendo alguns f-stop na iluminação mas ganhando modelos melhores e evitando que a luz rebata direto para a lente a partir dos olhos de quem é fotografado.
Fotografar onde há muitos tipos de luz, como a iluminação da rua e a fluorescente, vai acabar com seu ajuste de balanço de branco. Isso nem sempre é uma coisa ruim, mas, se quiser corrigir essa situação, talvez precise fazê-lo na pós-produção.

A iluminação incandescente dá um tom âmbar – às vezes, um efeito ótimo, como nesta foto, de tom dourado, tirada em um elegante restaurante russo. Gerd Ludwig Moscou, Rússia