quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A irreverente arte

Esqueça os risos sem vontade, as poses forçadas e aquele olhar sem expressão. Noivas e noivos já podem encarar o momento das fotos com naturalidade e espontaneidade, como se fosse uma verdadeira atuação de modelos profissionais. Pelo menos é assim que se sentem os pombinhos que passam diante das lentes da fotografa mineira Márcia Charnizon, em busca de um ensaio para lá de criativo.

Em uma combinação graciosa entre véu e grinalda e linguagem de editoral de moda, Mácia usa toda uma particularidade técnica na hora da direção de cena para revelar a beleza das expressões dos noivas e transformar a proposta do book de casamento em algo sensível e emocionante.
Toda a inventividade do trabalho da mineira, para efetuar uma impecável produção com sua inconfundível habilidade para conseguir extrair poses e gestos espontâneos dos retratos.
Esse começo precoce desenvolveu muito meu lado intuitivo, minha liberdade estética e agilidade. Como não tinha nem a maturidade para assimilar muita técnica, precisava compensar com outras qualidades, que até hoje são fundamentais na minha fotografia diz Márcia.

A fotógrafa Márcia Charnizon vê o mundo de maneira bem diferente. O digital trouxe mudanças de paradigmas que abalaram muitas estruturas e ainda estamos nos reencontrando. Ao mesmo tempo acredito que a liberdade e possibilidade de expressão que as novas tecnologias, equipamentos, softwares e globalização trouxeram é um ganho enorme para o mundo criativo. Quem é bom, poderá sempre fazer muito mais e ainda transitar em outras linguagens, o que acho muito interessante. Quem é medíocre, sempre será medíocre mesmo com todas as ferramentas a disposição.  A sensibilidade de quem fotografa é imprescindível para quem quer realizar um bom trabalho. É preciso sentir o momento ideal a ser fotografado. Imaginá-lo. Se antecipar. Há quem diga que não são todos os fotógrafos que têm este olhar, mas creio ser possível desenvolvê-lo, embora existam fotógrafos talentosos que possuem um dom especial. Mas esse desenvolvimento somente vem com o aprendizado da técnica fotográfica. É preciso dominar seu equipamento, seus recursos, para dessa forma saber o que está fazendo e imaginar, antes da foto, quais recursos se encaixarão àquele momento único.
O casamento representa o dia mais importante da vida de um casal, ou seja, não há como repetir aquele momento especial. É um dia único, com emoções únicas, momentos únicos, que não se repetem. Cabe ao fotógrafo dominar os recursos de seu equipamento completamente, e tenha um roteiro do que ele precisa fotografar durante o casamento, os momentos mais importantes, além de não se esquecer de registrar a presença de todos os familiares. Também é imprescindível que ele seja dono de uma linguagem fotográfica de sentido, sabendo o que registrar em seu momento certo.

Os retratos são uma herança da pintura e têm um valor inestimável. As fotos posadas fazem parte do ritual do casamento, portanto, consideramos essenciais. O que não significa que as demais fotos precisem ter a mesma linguagem formal.
Quando a noiva fica muito preocupada com a beleza, com o melhor ângulo, em não chorar pra não borrar a maquiagem e não rir muito trava a emoção. Os casamentos mais bonitos são aqueles em que os noivos se entregam.
Dê toda orientação possível ao seus clientes antes da cerimônia, faça com que eles sejam facilitadores na produção das imagens. Dirija-os antes do casamento. Você pode orientar, por exemplo, a melhor maneira de segurar a aliança no momento em que eles as trocam, assim como também, que o beijo não seja tão rápido, facilitando a você mais de uma foto da cena. Coisas simples, detalhes que facilitarão o bom resultado do trabalho.

Já foi até comprovado cientificamente que ouvir musica dá prazer e libera dopamina (um neurotransmissor que atua no cérebro promovendo a sensação a sensação de motivação).  Para Márcia, a musica é um dos melhores estímulos sensoriais que você pode ter como artifício em uma sessão de fotos.
“Um bom som aconchega e é fundamental na direção de cena das pessoas que não são modelos profissionais. Ela cria o clima adequado e relaxa a tensão”, reforça ela. Vale a pena investir em um som portátil para levar para onde quiser. Atualmente, há aparelhos de ipods e pequenas caixas de som com preços mais acessíveis, adequados para lugares sem fontes de energia, caso você resolva fotografar pombinhos na praia ou no topo de uma montanha.
Colocar uma musica durante o ensaio pode criar varias possibilidades.
Capaz de gerar constrangimento no seu modelo, o silencio é um dos grandes inimigos da direção. Além de fazer o retrato ficar parado sem reação, preenche o cérebro da pessoa com preocupações como: Será que minha mão está no lugar certo?”, ou “meu cabelo está bagunçado”. Isso gera insegurança no modelo, um comportamento negativo para quem busca expressões naturais no ensaio.
Para evitar essa situação, a fotografa procura ser bem comunicativa e inquieta nas sessões com os noivos. Energias é o que não lhe falta. É comum ela correr de um lado para o outro, pular e falar muito quando está fotografando. E ainda faz tudo isso sem tirar o “dedo do gatilho” para não perder nenhuma cena.

Arrancar aquele sorriso ou aquela expressão genuinamente natural, só é possível se você também transmite entusiasmo e segurança; brincadeiras na hora do ensaio também produzem bons momentos.
Márcia diz que com essa atitude ocupa a mente das pessoas, evitando que o retrato acesse aquele estado de insegurança. Fotografe os noivos felizes, comemorando o casamento, isso lhe dará uma foto onde os modelos passam emoção.
São emoções espontâneas arrancadas das pessoas com métodos que lembram até mesmo, técnicas de dramaturgia. Dá até impressão de que os noivos são atores profissionais, ou que Márcia foi fazer cócegas no casal para conseguir boas gargalhadas.

Usar uma boa maquiagem, que dê um efeito natural, também ajuda muito.